quinta-feira, dezembro 29, 2005


A IMAGEM DA MARINHA EM PORTUGAL

A IMAGEM DA MARINHA

Muito se tem falado da imagem que a instituição militar tem ou deveria ter junto da população portuguesa, agora que se entrou numa nova fase de orgânica das FA’s, dadas as reestruturações no seu funcionamento, redefinição do dispositivo territorial, redução de pessoal, e reequipamento das FA’s, extensível aos três ramos, e principalmente com o fim do Serviço Militar Obrigatório.

No caso concreto da Marinha de Guerra, apraz-me dizer o seguinte:

Creio que a imagem que a população portuguesa tem da Marinha não difere muito, infelizmente da imagem que tem dos outros ramos.

Um desinvestimento de 30 anos em termos de reequipamentos, de que as fragatas Meko-200 e os F-16 foram excepções, e uns certos traumas pós-coloniais que custam a apagar das mentalidades colectivas da população, quase contribuíram para um certo divórcio entre os portugueses e a Instituição Militar.

No caso concreto da Marinha, julgo que esse divórcio, e até desprezo é potenciado pelas dificuldades que a Marinha tem tido para operar em todo o imenso mar português (o maior da União Europeia, em termos de ZEE), com poucos recursos navais, e ainda por cima já envelhecidos.

As 3 Meko da classe Vasco da Gama não dão para tudo, nem mesmo contando cm o contributo das 2 fragatas da classe João belo, e das remanescentes corvetas da Armada, igualmente ultrapassadas, e daí esse desprezo e desdém já que muitos olham para a Marinha atracada Alfeite, e não vêem mais que uma marinha algo envelhecida.

Também nos parece a todos algo estranho que se proceda ao abata consecutivo dos poucos meios navais que temos, nomeadamente as corvetas e os patrulhas Cacine, sem que os seus substitutos naturais – os NPO’s e as Lanchas de Fisacalização Costeira não estejam ainda construídas, e muito menos incorporadas no efectivo da Armada

Valham os recursos humanos que tudo têm feito para superar as dificuldades em termos técnicos.

O caso dos dois submarinos Daphné já muito velhos também não abona para uma boa imagem, e nem sei se será seguro mantê-los a navegar até virem os novos em 2009 e 2010.

Mas acredito que com novos equipamentos, com os novos patrulhões oceânicos, o previsto NavPol, e com as O.H.Perry (que considero não serem grande mais-valia, mas dados os constrangimentos financeiros, foi o que se pode arranjar), essa imagem possa mudar com o tempo, e quando se instituir na mentalidade colectiva que as FA's são para voluntários.

Quanto à vida útil da classe Vasco da Gama, não sei o que está previsto, mas dado que não se prevê que possam navegar muito para além de um horizonte de 15 anos, estará algo previsto ou em fase de negociação para uma futura marinha oceânica mais de acordo com os pergaminhos e necessidades efectivas do nosso país?

E o que está previsto em termos de poderio aero-naval para as Perry e para o futuro NavPol?

Virão hélis para a Marinha ou recorre-se aos da FAP?

Questões orçamentais e indefinição sobre o que efectivamente se quer leva a que o prestígio da Marinha e do país se perca frente a outras plataformas de outros países aliados, tornando a nossa Marinha a imagem de um país pobre, já que nos apresentamos sempre com o mais vetusto que há para apresentar.

Ou se tem Forças armadas ou não se tem

Se se tem, há que haver orçamento para aquisições e operação dos seus meios, capacidade para acudir às necessidades, num país que tem interesses geo-estratégicos que ultrapassam as fronteiras da Aliança Atlântica e da EU.

Ou de outro modo teremos as FA’s mais caras da Europa, e tal como no passado disse um general que foi CEME, “as FA’s não podem mais viver com orçamentos que apenas dão para o rancho e para o papel higiénico”.

Como tudo isto é confuso para quem está de fora, seria um bom contributo para que essa imagem mudasse, que os assuntos fossem mais abertamente discutidos (não na praça pública, como é óbvio) mas que houvesse da parte da Instituição e de quem a tutela uma melhor capacidade de comunicação com a população, e principalmente com o pequeno grupo de portugueses que gostam e admiram as nossas FA's, que devem por definição ser o garante da Segurança, Soberania e Independência da Nação Portuguesa.

quarta-feira, dezembro 28, 2005


Blindados: dez anos de tristes figuras

Foi há dez anos que Portugal enviou as primeiras forças para a Bósnia, integradas no dispositivo da NATO. Não era a primeira vez que se enviavam forças para uma operação de Paz (já antes capacetes azuis portugueses tinham estado em Moçambique e Angola), mas foi o primeiro envio de um contingente de escalão batalhão, e para um teatro de operações (na altura) de alto risco. Na altura, a opinião pública tomou conhecimento do que qualquer conhecedor de assuntos militares sabia há muito: a inadequação e obsoletismo dos blindados Chaimite e a necessidade da sua substituição. Muita tinta correu na altura, perguntando-se os analistas do burgo se seria sensato enviar tropas mal equipadas para uma operação militar. Como era possível que o Portugal Democrático tivesse tão pouco respeito pela segurança dos seus militares? Afinal, os generais de hoje eram os capitães de Abril de havia duas décadas atrás. E que o Portugal novo e livre tivesse votado as suas Forças Armadas ao abandono para agora a mandar "para a guerra" como carne para canhão? Foram feitas promessas de novo equipamento, o Presidente da República declarou que o re-equipamento das Forças Armadas era um dever do Estado e uma tarefa necessária que devia ser levada a cabo com responsabilidade, sem criticismo demagógico, etc, etc. As Chaimite lá foram e continuam a ser usadas, com a melhoria de um pára-brisas de acrílico para o condutor (de cabeça de fora) ter algo mais para se defender do frio do que apenas um capacete e uma máscara de lã, perante as temperaturas negativas do inverno balcânico. Uma tragi-comédia. Não bastasse a condução em estilo cabriolet, por alguma decisão iluminada, as torretas dos veículos tinham sido retiradas, sendo as metralhadoras Browning 12,7mm operadas sem qualquer protecção, torso todo para fora do casco. Isto num teatro de operações que se caracterizou pelos snipers. Mas a opção cabriolet tem um custo: um acidente em que um veículo capota e rola por uma ravina abaixo. Dois mortos, um deles o operador da Browning. Governo, chefias militares e imprensa assobiam para o lado. Afinal, quem vai à guerra dá e leva.

Em 1999, houve a intervenção no Kosovo. Mais uma vez Portugal mandou tropas e blindados. E mais uma vez a Chaimite, acompanhada de novo pelas Panhard VBL e desta vez por M113. Mas agora, e como a NATO torceu o nariz à Chaimite, o Governo da altura decidiu abrir os cordões à bolsa e comprar blindados de transporte de tropas novos... mais 17 Panhard VBL.

No mesmo ano Timor vive um inferno e, surpresa das surpresas, Portugal tem de intervir sem a ajuda de qualquer aliado. Lá vão os Páras (na vanguarda, como sempre) e são precisos blindados de transporte de tropas. Urgentemente. É para ontem! Blindados de transporte de rodas, claro. Cada Mowag Piranha básico cada cem mil contos, sentenciou o Estado Maior do Exército (alguém terá realmente estado na Eurosatory desse ano, ou limitou-se a ler a reportagem na revista Todo-o-Terreno? Fica a dúvida. Fica também a dúvida de quantas pessoas no EMA é que já ouviram falar na Eurosatory). Solução: condescentemente, o Governo abre os cordões à bolsa e compra Humvee blindados, generosamente excedentes de um contrato cancelado por um cliente do Médio Oriente. O dinheiro não dá para tudo. Está-se a pagar a Expo 98 e há contratos de construção que ainda têm a tinta fresca. Explicação para a escolha: as estradas de Timor são demasiado estreitas para algo mais largo que um Humvee. Além disso são mais baratos e também têm blindagem e rodas. Pouco importava que poucos meses antes as Nações Unidas tivessem avaliado o veículo e considerado imprestável para o uso pelos seus observadores, pela sua fraca resistência a minas, optando por comprar o Mamba sul-africano.

2002: um novo Governo e, sobretudo, uma vontade de fazer coisas pelas Forças Armadas como nunca se tinha visto nesta III República. E também ajudando a indústria nacional. Seria sensato num país onde as instituições funcionassem racionalmente, mas não em Portugal. Só que a Bravia, o nosso único fabricante de blindados tinha fechado portas há muito. Explorando a nostalgia pelo programa de aquisição das Chaimite, a Steyr propõe a construção dos blindados em Portugal, justamente com a Sorefame (que tinha fornecido os cascos das Chaimite à Bravia, nos anos 60 e 70). Boas condições, preço mais vantajoso e boa avaliação dão a vitória ao Pandur II. Mas como é que o GOM, uma empresa improvisada, pode fabricar blindados? Contratam-se alguns trabalhadores da Sorefame e aluga-se uma fábrica aqui ou ali, e fazem-se. Sabe-se lá como, mas fazem-se.

E assim não se têm feito. A juntar a isto o habitual carnaval nos tribunais, com queixas e recursos, KOs e OKs do Tribunal de Contas.

2005: Afeganistão. Sem comentários.

Começa 2006: mais de um ano depois de assinado o contrato com a Steyr e com a GOM, não se sabe ainda quando virá o primeiro blindado. Dez anos depois da Bósnia, o principal blindado de rodas continua a ser o Chaimite, que entrou ao serviço a partir de 1966.

Há 40 anos atrás, nem Salazar, com a sua forretice quanto a despesas militares, poderia imaginar que os blindados por si comprados iriam servir aos soldados portugueses do século seguinte.

JQT

sexta-feira, dezembro 23, 2005


O NavPol português - construção comprometida?

O NavPol

Sobre as recentes notícias relativas a um possível adiamento sine die para ao início da construção do NavPol, e pretensões timidamente adiantadas de que o futuro Navol, a ser uma realidade, deveria ser reduzido face ao inicialmente previsto, e já se apontam ideias para um navio que não desloque muito mais que 10.000 ton, na vez das 14.000 ton que o aproximariam muito do modelo Rotterdam, há que pensar no seguinte:

O NavPol é o principal vector para a capacidade de projecção de forças, que está consignada em sede do CEDN, discutida e aprovada, e está inscrito em Lei de Programação Militar.

É certo que a LPM pode ser revista de 3 em 3 anos, mas esta má vontade do actual Governo relativamente a este navio representa a desistência de um vector fundamental para os desígnios da projecção de forças num quadro em que Portugal cada vez mais acorre a solicitações diversas no plano de missões internacionais.

O plano original seria um LPD com deslocamento a rondar as 14.000 ton, e quanto aos helis embarcados, o que se falava seria a utilização dos EH-101, ou dos NH-90 do Exército, logo que estes sejam entregues.

Isto para apoio suplementar ao desembarque de forças.

Os Linx da Marinha servem para ASW, e deverão quanto a mim continuar adstritos às fragatas.

O Ministro parece querer dar prioridade ao programa dos blindados de rodas e arma ligeira para os 3 ramos, e daí, nada tenha a opor, mas quanto à Marinha o actual Governo parece querer mandá-la ao fundo, com a indefinição relativa ao LPD, e ainda a indecisão e adiamento quanto à vinda das 2 fragatas OHP.

Em tempo o actual Ministro Luis Amado referiu que as chefias dos 3 ramos definem as prioridades, e que o Governo disponibiliza as verbas.

Maas não se pode comportar como o pai que define os "brinquedos" com que o filho pode contar no sapatinho na noite de Natal.

Porque estes equipaments imprescindíveis para tornarem as FA's portugueses modernas e de acordo com os padrões de exigência do século XXI não são brinquedos que um "pai" dá ou não de acordo com os humores de momento, nem de acordo com as caprichos do "filho".

Não se brinca com as FA's que são um dos pilares da Soberania e do Estado-Nação que é Portugal.

O País e a sua Defesa vai mal, quando um Governo parece querer ver esses equipamentos como simples brinquedos para que os militares se entretenham nos quartéis, sem ter noção de que se tratam de instrumento fundamentais para a afirmação da política externa portuguesa na NATO e no Mundo.

quarta-feira, dezembro 21, 2005


O BRASIL E O PROJECTO DE UM SUBMARINO NUCLEAR

Como se sabe existe no Brasil por parte do poder politico e das chefias da marinha desse país sul americano, um velho projecto, que se espera ver materializado em 2020 para a construção de um submarino movido a propulsão nuclear, não obstante os grandes avanços que nos últimos anos têm relativamente aos sub’s convencionais, que viram as suas capacidades de autonomia grandemente melhoradas com a introdução dos chamado sistema AIP.

Pretenderá o Brasil com essa capacidade, melhorar a sua capacidade na arma submarina, embora tenha neste momento os Tupi e o recentemente incorporado Tikuna, baseado num desenho da “escola” alemã.

Partindo do princípio de que o que se tem é para ser potencializado e usado num teatro de conflito, penso que um sub com essa capacidade só se justificará para cenários de guerra total, e se equipados com capacidade para lançamento de mísseis de cruzeiro Tomahawk ou outros, recuperando-se a velha máxima de que a melhor defesa é o ataque.

Ora se assim for, parece que o Brasil prefere ser temido que amado ou respeitado, numa atitude algo maquiavélica, adaptada aos novos tempos, sem que o Brasil esteja inserido numa região “quente” do globo, e sem que o Brasil se constitua em mais que uma simples potência regional, mercê do seu enorme tamanho e população e por estar no grupo dos 10 países mais industrializados do planeta.

Mas não é nem nunca foi uma potência militar, e muito menos com ambições geo-estratégicas à escala global.

Nunca foi um país tradicionalmente interventivo nos conflitos internacionais, só ou em aliança.

Não tem uma parceria estratégica para a Defesa nem está inserido numa organização defensiva.

Eu tenho dúvidas de que o poder político e as chefias da MB pensem que venha a ter esse papel de país interventivo, porque seria o pior caminho para o Brasil em adquirir sub's nucleares com mísseis de cruzeiro, sejam americanos ou russos para os armar.

Seria uma política suicidária no plano de um contexto internacional, levantando desconfianças entre os seus vizinhos, e dando uma volta de 180 graus na tradicional política externa defensiva e pacífica brasileira.

Atacar o inimigo no seu próprio quintal, argumentando que o ataque é a melhor defesa, é uma atitude e doutrina perigosa e seria necessário que o inimigo estivesse previamente identificado.

Mesmo que o Brasil possua um dia 4 sub's nucleares nunca poderia bater-se de igual para igual com os EUA, ou com a NATO.

De que adiantaria afundar um ou dois destroieres Arleigh Burke, um Tico ou um LPD, ou mesmo danificar um CVN Nimitz, se isso não faria a balança virar a favor do Brasil?

Ou pretenderá defrontar a vizinha Argentina com as suas fragatas Meko360 e os TR-1700?

De que tem o Brasil medo?

Já identificou o seu potencial inimigo?

E para um potencial embora improvável conflito regional em que o Brasil tivesse inimigos na área geográfica em que está inserido, julgaria mais avisada a aposta na construção de mais Tikuna's que gradualmente substituiriam os Tupi's, e que pudessem comprar 4 U 214 ou Scorpéne de última geração.

Bastaria isso, que somando a uma frota de superfície constituída por unidades navais modernas tornariam o Brasil no líder incontestado da AL e no Atlântico sul.

Se potenciassem essa capacidade com uma aliança estratégica com outro país ou organização defensiva, seriam praticamente imbatíveis, se exceptuarmos os EUA e eventualmente a Rússia.

O que acontece é que se parecem estar a armar para mostrar material no porto e fazer umas viagens para mostrar bandeira pelo mundo.

Porque não estou a descortinar oportunidades concretas e ameaças reais que justifiquem esse investimento de há 20 anos, à custa de um envelhecimento gradual e perigoso da sua frota oceânica de superfície.

O que eu consideraria mais realista para um horizonte de 15 anos:

Dado que os Tupi são relativamente novos, poderia ser-lhes adaptados sistemas AIP.

Mas eu consideraria que os Tupi, dada a sua pequenez deveria manter-se no seu actual estado, serem sujeitos a boas manutenções para fazer um patrulhamento das águas e ajudarem em escoltas para forças tarefa.

No caso do Tikuna, desejaria que se construíssem pelo menos mais 3 unidades, com AIP.

E que até 2020, o Brasil possuísse uma frota complementar de 4 U-214, pelo que ficariam com uma força de 8 sub's verdadeiramente oceânicos, e mais os velhos (nessa altura) Tupi para reserva.

Julgo que uma força de 8 submarinos, sendo que 4 deles fossem de última geração, constituiriam uma capacidade verdadeiramente dissuasora, numa base defensiva, e se somada a uma capacidade oceânica de superfície mais modernizada.

Não me parece que dado o actual estado da marinha Brasileira, se somada ao estado dos outros ramos das suas FA’s, o Brasil vá por bom caminho se tentar dar m passo maior que o que as suas pernas o permitam.

terça-feira, dezembro 20, 2005


A participação portuguesa em exercícios militares navais

Participação portuguesa em exercícios navais internacionais

É recorrente que existam exercícios navais multi-nacionais fora do contexto do Atlântico norte e da NATO.

Mas Portugal parece ficar sistematicamente de fora dessa participação que lhe poderia dar maior saber e acertar, nomeadamente com países amigos e aliados doutrinas de actuação, envolvimento de meios que poderão ser úteis para teatros de conflito ou melhor articulação em forças multinacionais, nomeadamente para teatros de intervenção em missões de manutenção/imposição de paz, bloqueios navais ou missões de carácter mais humanitário.

Decorrerem recentemente no Brasil os exercícios UNITAS XLVII / 2005.

Portugal foi mais uma vez convidado par participar ao lados das marinhas do Brasil, Argentina, Espanha e EUA.

Portugal e França declinaram o convite.

A razão para esta recusa foi a falta de meios materiais e financeiros para essa participação, com uma fragata que fosse.

Esta perece ser a prova de que realmente a nossa Marinha está mal, em qualidade (sem que se avance para o up-grade das VdG), e em quantidade.

Na verdade temos em termos de fragatas 3 VdG relativamente novas e ainda bastante operacionais para ASW e 2 fragatas da classe Comt. João Belo, com mais de 30 anos, e que todos concordam já não representarem grande valor militar para as modernas exigências ao nível de solicitações militares navais de superfície, apesar de a NRP João Belo e a NRP Sacadura Cabral se manterem ao serviço da Marinha até 2008.

Estas duas João Belo poderão ser brevemente (daqui a um ano) ser substituídas por 2 OHP cedidas pela US Navy, o que representará um acréscimo em termos qualitativos, mas quantitativamente ficaremos na mesma.

O nosso único reabastecedor de esquadra, o NRP Bérrio está velho, e a Marinha já disse que a sua substituição era uma das prioridades, embora não hajam para já datas para a compra de um novo AOR.

Talvez isso explique o porquê dessa recusa na participação.

A Espanha tem 6 fragatas Santa Maria (baseadas nas OHP) e actualmente conta com 4 fragatas F-100 (classe Álvaro de Bazán).

Se Portugal tem neste momento e para todos os efeitos apenas as 3 Vasco da Gama, e se uma tem que estar quase sempre integrada numa força conjunta da NATO, sobram 2, das quais uma está sempre em prontidão e a outra em manutenções ligeiras.

O que resulta que de facto nos estamos a aproximar rapidamente do ZERO NAVAL, para o qual talvez nem tenhamos que esperar por 2020.

Teremos 5 fragatas, 2 submarinos, um novo reabastecedor de esquadra e um Navpol, para além dos 8 ou 10 NPO's.

No passado contámos sempre com 7 fragatas (nos anos 60 e 70 as 4 João Belo e as 3 Pereira da Silva) e mais recentemente ainda contámos com as 3 Vasco da Gama e com as 4 João Belo), para além das cerca de 10 corvetas das classes Batista de Andrade e João Coutinho.

O que se perspectiva para o futuro próximo parece-me sinceramente pouco, mas infelizmente o Estado português parece investir apenas no que possa dar retorno, como auto-estradas com portagem, hospitais SA etc.

As FA's estão ao abandono, e a população na sua generalidade está “divorciada” para isso, o que faz com que as FA's passem para o fundo da agenda política dos governos no pós 25 de Abril, terminada que ficou nessa altura a guerra colonial, e dada a indefinição para a sua existência que se seguiu por anos.

Eu por mim acredito que a CPLP poderia e deveria ter uma boa vertente militar para que em acções conjuntas de manutenção de paz se pudesse articular (nomeadamente as marinhas brasileira e portuguesa) para essas missões no Atlântico sul e em África.

Criar-se-ia uma nova realidade estratégica no Atlântico sul.

Mas Portugal está de pantanas, entregue à sua sorte enquanto navega à deriva, sem saber o que quer e para onde vai.

É o fim.