segunda-feira, maio 15, 2006


Derivações

Segundo um relatório parlamentar divulgado na semana passada, os serviços secretos britânicos não dispunham dos meios suficientes para evitar os atentados de 07 de Julho de 2005 em Londres. A conlusão da comissão parlamentar foi que "se mais cedo tivessem sido disponibilizados mais recursos, as hipóteses de evitar os atentados teriam sido mais fortes".

Isto deveria dar que pensar a todos, nomeadamente àqueles sectores pseudo-humanistas que, logo após cada grande atentado terrorista no Ocidente (Nova Iorque e Washington, Madrid, Londres) levantaram a voz contra o risco de uma assim-chamada "deriva securitária".

Combater o terrorismo levado a cabo por fanáticos buscando o martírio é por si só difícil, quanto mais em sociedades onde se prezam os direitos e liberdades individuais, como é o caso das ocidentais. E, mesmo sendo necessário mas díficil estabelecer limites à liberdade, é hoje opinião da maioria dos cidadãos que é preferível sacrificar algumas liberdades a correr o risco de sofrer atentados brutais como aqueles a que temos assistido. Essa é a conclusão de um estudo de opinião efectuado nos EUA e divulgado também na semana passada. Apesar da impopularidade de Bush, dos escândalos de Guantanamo, Abu Graibh e dos aviões da CIA. E nem seria preciso qualquer estudo, porque é uma questão de simples bom senso.

É por isso que os responsáveis políticos, para além do sentido de responsabilidade que se lhes exige, devem agir sem serem influenciados pelas opiniões das "boas almas" que reclamam restrições à luta anti-terrorista. E devem ser determinados e realistas nas medidas que tomam.

É por isso inadmissível que, no caso português, em 2006 a legislação não permita o uso de camaras de vigilância e que ilegalize as provas com elas recolhidas, como é o caso das usadas pelos veículos da Brigada de Trânsito da GNR. O Governo, o Parlamento e em especial a Comissão Nacional de Protecção de Dados precisam de ser chamados à Razão. Seria admissível que, no caso de acontecer um atentado em Portugal, as investigações não pudessem ser prosseguidas por causa de ridicularias legais? Como poderíamos ter de novo um ministro a dizer na TV que «a culpa não pode morrer solteira»?