quarta-feira, junho 07, 2006


A LPM ANUNCIADA

As minhas primeiras impressões, baseadas nas notícias vindas a público pelos jornais são:

Redução, redução e redução, venda e desmatelamento.

Foi essa a mensagem, ao melhor estilo de marketing publiciário que passou para a opinião pública, e o mais grave, pela boca do próprio Ministro da Defesa.

mas sem querer ser exaustivo, vamso pelas partes principais:

Os F-16 e a venda de 12 aparelhos:

Quanto ao F-16 se é verdade que não temos pilotos, também considero que se os não temos, é porque o Estado não os quer formar, não tem interesse nem vontade em ter uma bolsa de pilotos para operarem 2 esquadras de 20 F-16 cada (e futuramente outros caças), e não porque essa falta de pilotos resulte de algum tipo de fatalidade divina.

Maquiavelicante pensando, poderia até pensar se o Estado e os governos não terão deixado os recursos humanos da FAP chegarem a este ponto, para que agora se justifique a venda dos F-16 (depois de modernizados) porque já antecipadamente se tratou de justificar essa "necessidade" com a falta de gente.

Ou seja:

Se se quiser acabar com um quartel de bombeiros, nada como uns anos antes deixar de admitir pessoal, e não dar aos que lá estão boas condições de trabalho.

Nem 40 F-16 chegam para assegurar supremacia aérea, quanto mais 28 aparelhos!

Depois, não compreendo como é que se pode (a menos que se viva na ditadura do economicismo) reaparelhar esses F-16 usados com um MLU e depois vendê-los, ficando Portugal com os F-16 sem MLU.

Quanto ao Puma's:

O Estado deveria, já que os tem, reservar pelo menos alguns desses aparelhos para o SNBPC em vez de os vender a preço de saldo.

Se eles serão bons para a Roménia, porque serão maus para Portugal?

Se eles são maus e velhos, como é que já eram bons para transportar ministros e secretários de estado sempre que estes tinham pressa em aparecer numa qualquer aldeia para inaugurar um chafariz ou um centro de idosos?

Espanha tem helis pesados para SAR que não são da marinha nem da força aérea.

Os Pumas's com condições a serem dadas à FAP ou a um outro organismo que já exista, poderia ser helis para ajuda no combate a incêndios e ainda para SAR junto da costa, transporte inter-ilhas libertando a FAP dessa tarefa.

Não consigo compreender como possa sair mais barato comprar helis novos para combate a incêndios, do que manter os que já temos, e já estão pagos.

Outro pormenor, é a vontade de vender os 10 Puma's que temos. Não ficará um único para o nosso Museu do Ar?

Ou até já ao acervo histórico se vão buscar aparelhos para venda?

Já agora, que se vendam os A-7 que estão no museu e no depósito em Alverca e os G-91 e até o Noratlas recentemente restaurado.

Pode ser que o Burkina-Faso pague 10 euros por eles.

Quanto aos AluetteIII espero que sejam colocados, nada a opôr, mas tirando meia dúzia de países africanos ou a Índia que ainda os opera, não sei mesmo que poderá pagar um euro por helis dos anos 70.

A venda das duas fragatas da classe João Belo:

Nada a opôr se o Uruguai as quiser, provavelmente não para as acrescentar à sua frota, mas para canibalizar de umas para as outras.

Mas o número apontado de 60 milhões de euro parece-me francamente exagerado. Isso dá 12 milhões de contos em moeda antiga.

Mais ou menos o que custou o A-12 ao Brasil quando a França lhe vendeu esse navio.

Os helis concentrados:

Segundo as notícias, e espero que seja gralha, fala-se em 10 EH-101.

O programa não era de 12 aparelhos, faltando os 4 CSAR? Ou também aí houve redução?

Quanto aos NH-90, muito mau o adiamento para 2011 para a entrega dos aparelhos e a criação de um comando conjunto de helis em concentração no Montijo.

Porque mesmo com comando conjunto, nada justifica a concentração física desses meios.

Se é para o Exército, que mal tem ficarem no centro do país, e nomeadamente em Tancos?

Mas mais importante:

Em que é que se justificaria a redução de 10 para 9 aparelhos?

Quanto é que se pode poupar em 1 (um) heli, e para que serviria esse dinheiro? E de quanto helis ligeiros para o Exército e para a FAP estariamos a falar?

De meia dúzia?

E será com esses poucos helis ligeiros que se formarão pilotos e se operacionalizará a capacidade da FAP?

Ou estaremos a assisitir ao desmantelamento da FAP como tal?

Se os helis ficarem integrados num comando conjunto, fará sentido atribuir uma parte ao Exército e outra parte à FAP?

E se assim é, fará sentido termos 2 tipologias diferentes de helicópteros médios (os Merlin e os NH-90)?

Não seria então de reequacionar tudo e abandonar o projecto dos NH-90 e comprar mais 12 Merlin, atribuindo 4 à Marinha, para operarem no LPD e para missões SAR?

E se se acha que os que ficarem o Exército (os NH-90) são mesmo necessários, para que servirão se não for assegurada a supreioridade e supremacia aérea?

Para que o Exército necessita de helis próprios que apenas sirvam para transpotar pelo ar uma companhia de militares?

A FAP não poderia assegurar essa tarefa?

Ou passaremos a quer uma FA's que não passem de uma mera companhia circence itinerante que ande de país em país a participar em missões sem fim, enquanto se sacrifica a vertente da defesa e da nossa soberania territorial?

As aquisições:

Tudo muito no ar:

Continuação dos programas dos blindados de rodas, dos NPO's e das LFC, do LPD, e agora da eventual vinda de fragatas holandesas para substituir as 2 João Belo.

Positivo se se tratar das M (Karel Doorman) holandesas.

Mas que se saiba, o Governo ainda não transmitiu oficialmente ao EUA a sua desistência relativamente às há muito reservadas Perry.

E parece que nada, quanto a um acrescento há muito esperado no número de helis Linx para a Marinha. E se os M-60 forem mesmo subtituidos por Leopard-2A.

Mas não estaremos a falar de hipóteses?

Nunca antes se tinha colocado em cima da mesa a substituição dos blindados de lagartas e agora esta "prenda" com topos de gama? Muita fartura repentina, e se ela é grande o pobre desconfia.

Onde está o investimento para um verdadeiro sistema de defesa anti-aéreo para Portugal?

Nada de datas, nada de muito concreto.

Para já a palavra-idéia que passou foi: "reduzir."

E com o Ministro da Defesa a anunciar ao jornalistas, sempre hávidos de escândalos, que pelo menos 12 dos F-16 foram comprados, mas que afinal não eram necessários.

O marketing político venceu.

A Defesa em Portugal perdeu.