segunda-feira, junho 26, 2006


Que prioridades no investimento das FA’s em Portugal?

Depois de observar o estado actual a que anos de desinteresse e desinvestimento a que as FA’s têm vindo a ser sujeitas de há aos ou décadas a esta parte, Portugal se quer ter umas FA’s realmente operativas, com uma qualidade razoável e uma quantidade mínima para garantir a sua operacionalidade e flexibilidade de usos tem que investir nos três ramos das Forças Armadas.

Naturalmente que pelas verbas disponibilizadas aprovadas recentemente para a LPM há que fazer escolhas e estabelecer prioridades.

Mas há que fazer mais.

Nas visitas que o Presidente Cavaco Silva tem vindo a desenvolver aos 3 ramos das FA’s notou-se que pelo menos na visita que recentemente efectuou ao Exército, na Base Tancos onde funciona a Escola de praquedistas, o Exército está “nas lonas”.

Nem vou falar no estado de inoperacionalidade grave que pode representar a avaria em plena parada do Dia de Portugal a que marcou a parada e foi um golpe no Exército, através da inusitada avaria de um MBT M-60.

Depois, repare-se:

Para além de tudo o resto, a dignidade é uma coisa importante para dar das FA’s uma imagem ao povo e à Nação:

O Presidente da República nesse desfile do 10 de Junho fez a revista à parada a bordo de um UMM.

Acredito que sejam viaturas boas, de fabricação parcialmente nacional e que marcaram um período nas nossas FA’s.

Mas repetir essa viatura nas paradas parece-me de mau tom, colocando as nossa FA’s a um nível verdadeiramente terceiro-mundista, coisa que já se havia verificado aquando do desfile do Dia do Exército em Coimbra.

Não se arranjaria ma viatura mais recente para que o Comandante Supremo das FA’s e Presidente da República passasse revista às tropas?

Não teremos nas FA’s nada mais que um UMM?

Acho que cada um com as suas missões, mas com uma FA's curtas, há que garantir a inter-operacionalidade entre os 3 ramos, e julgo que isso tem sido bem conseguido de uns anos a esta parte.

No entanto, e havendo que fazer as escolhas acima referidas, eu consideraria que a prioridade deveria para já recair sobre a marinha e Força Aérea.

Porquê a marinha e a FAP? Porque como já tenho escrito, hoje as fronteiras já não se defendem mais em Elvas ou Vilar Formoso, mas por vezes a muitas milhas de distância.

Interesses só nacionais, ou no âmbito das alianças e esferas geo-estratégicas em que nos inserimos. Por isso a Marinha e a Força Aérea terão (ou deveriam ter) os instrumentos essenciais para afirmar uma politica de Defesa que pudessem ser instrumento para alicerçar uma politica externa que não se limitasse à nossa integração europeia.

Portugal, ao ser um país pequeno, periférico, o que pode dar à Europa? Pouco. A sua grande mais-valia no seio da UE será uma relação privilegiada com o mundo lusófono, quer através de participações e investimentos económicos, mas também por uma politica cultural e linguística, e sobretudo por uma cooperação militar estreita que crie novas realidades geo-estratégicas no Atlântico.

Portugal se esquecer isso perderá a sua dimensão atlântica tradicional e perder-se-á, desaparecerá no seio da Europa dos 25.

Por isso a vertente atlântica, através de uma ligação estratégica aos EUA e sobretudo ao mundo lusófono é primordial para que Portugal possa representar no seio da UE algo mais que um pobre país periférico, pequeno e só com 10 milhões de habitantes.

A Marinha e a Força Aérea serão os instrumentos para a afirmação dessa soberania e projecção, através da aquisição de meios de projecção de poder (as fragatas que quanto a mim deveriam ser mais que 5 e sobretudo melhores) e sobretudo através de meios de projecção de forças, que acredito que ficará limitada se tivermos futuramente apenas um único LPD.

Daí as posições que tenho defendido, quando falo dos meus ideiais para um dispositivo naval. Ao nível aéreo, já que a terceira dimensão deve ser preservada, acho um erro crasso que Portugal acentue a sua já pouca capacidade para defender os seus céus passando de 40 F-16 para apenas 28, sem MLU.

Quando se fala em sacrificar a quantidade pela qualidade, como fica explicada esta decisão de não só reduzir a quantidade mas sobretudo a qualidade, se se anuncia que os 12 F-12 a alienar até 2011 serão exactamente os MLU? E torna-se necessária uma politica continuada de recrutamento e gestão de recursos humanos que limite e cerce a capacidade da FAP em operar mais que poucas unidades.

O que se passa relativamente ao Puma's é a vergonha de um país que não pode nem quer ter meios para Protecção Civil, operados pela FAP e prefere vender esses 10 aparelhos a um país que aparentemente ainda acredita que esse helis poderão dar capacidades a esse país.

Mas mais importante, é o não investimento em meios de projecção verdadeiramente estratégicos.

Julgo que Portugal poderia por si e no seio da NATO compensar a sua pouca prestação ao nível de meios de ataque, através da aquisição de meios de projecção e daí que eu defenda o aumento da frota de C-130H de 6 para 8, e eventualmente estudar a sério a possibilidade de compra de 2 C-17, como o que a Boeing nos propôs em 2003.

Porque duvido muito das vantagens em comprar apenas 4 ou 5 A-400M, e dar-mo-nos por satisfeitos com uma simples substituição da frota lá para 2020.