quarta-feira, junho 07, 2006


A VENDA DOS F-16 E A FALTA DE MEIOS AÉREOS

Até os colegas espanhóis nos fóruns estão a ficar espantados coma ligeireza com que se desmantela o pouco que Portugal ainda tem.

Podem alguns vir agora explicar científicamente que alguns desses F-16 nunca sairam dos caixotes, que o programa de modernização é mais lento que se decorresse num qualquer país africano, etc. Mas o facto é que Portugal os tinha, e em caso de necessidade o programa aceleraria.

O Governo para dar uma imagem de populismo demagógico preferiu anunciar a venda desses 12 aparelhos depois de modernizados, até 2011.

O que acontece é que o que hoje é uma verdade anunciada, amanhã já pode ser outra coisa.

Até 2001, o Governo será outro, o programa MLU arrastar-se-á no tempo, a LPM deverá ser revista dentro de 3 ou 4 anos.

Pode-se sempre argumentar que Portugal neccessita de meios aéreos para apagar fogos e não para os atear.

É fácil e popular:

Vendem-se os F-16, e venham os meios de combate a fogos!

Como Portugal é governado por mentes brilhantes, recebeu ontem, 6 de Junho de 2006, a ajuda de 2 Canadair espanhóis para ajudarem a dominar um incêndio que lavra desde domingo no norte.

Porque para o Governo a nova filosofia é a de que os meios aéreos só serão utilizados na fase inicial.

Como a fase inicial do fogo foi no início do dia 4, e ontem já se ia no dia 6, foi necessário mais uma vez recorrer a Espanha para nos ajudar, porque Nª Senhora, evocada por Portas aquando do Prestige não dá para todas as encomendas.

E se a Espanha nos cedeu esses 2 aparelhos é porque simplesmente os tem. Mas em Portugal, com a nossa milenar sapiência, infinitamente superior à dos outros povos, achamos que nem precisamos de helis para combate, nem de nada.

E se eventualmente precisarmos, para calar a boca dos papalvos, prometem-se meios próprios, mas arrastam-se concursos etc.

Os prometidos NH-90 parece que já só serão 9, e só para entregas a partir de 2011. Entretanto o país arde, e outros helis que temos, já pagos, (os Puma's) serão alegremente e levianamente vendidos a quem der uns tostões por eles.

Portugal recebe ajuda do exterior, e vende o que já tem.

O povão gosta disso, entretido em acenar aos seleccionados de Scolari.

O ministro, demagógico e populista anunciou que essa venda de 12 F-16 resulta de Portugal não necessitar deles.

O povo gosta disso.

Porque assim jornalistas e comentadores já estão há mais de uma semana a gritar que o governo de Guterres comprou aviões que afinal não eram necessários.

Esqueceu o Ministro da Defesa, na sua infinita irresponsabilidade, de explicar (e devia) que se eles foram comprados, era porque os cenários geo-estratégicos na altura eram outros, que se o programa MLU para as 2 esquadras não avançou a bom ritmo, foi por pura incompetência e empenho do Estado em querer uma FA's dignas.

Foi fácil, popular e demagógico.

Se o povo quer helis para combate a fogos em vez de F-16 ou de submarinos faça-se-lhe a vontade.

Vendam-se os F-16 (e assim até se faz a vontade a um certo partido politico com representação parlametar), porque os helis que já temos e dispensariam concurso também os venderemos, nada se compra, e se for necessário a Espanha, França, Alemanha e até Marrocos dão uma ajuda.

Entretanto a mesma FAP que não tem meios para operar os Puma's, parece ter encontrado uma vocação especial:

O de transporte de ministros e outros VIP's para assistir a jogos de futebol, em Portugal e no estrangeiro.

Assim vai Portugal.