terça-feira, julho 04, 2006


Os MBT's Leopard2-A6 e o novo Ministro da Defesa

O novo Ministro da Defesa, a anunciada compra de MBT’s e a LPM

Tenho a ideia de que o nosso actual ministro da defesa, o Prof. Nuno Severiano Teixeira é uma pessoa mais conhecedora e sensível aos problemas e questões de Defesa e Segurança que o anterior ministro Luís Amado.

No entanto, e com um horizonte temporal de 20 anos no Governo e com a LPM já aprovada, não creio que hajam agora mexidas ao nível da Defesa, no que respeita a reequipamento e aliás, o Ministro já afirmou ontem na tomada de posse que pretende dar continuidade à politica na Defesa.

Poderá querer eventualmente deixar a sua marca no pouco tempo que lhe resta se conseguir acelerar programas que se arrastam inexplicavelmente no tempo, e estou a pensar neste momento na arma ligeira que substituirá as vetustas G-3 e eventualmente definir qual os helis ligeiros para o Exército e FAP e lançar pelo menos o concurso.

Pouco mais poderá fazer.

Uma boa prenda par a Marinha seria a abertura para a aquisição de um novo AOR e eventualmente acelerar o calendário de construção do LPD.

____________________________________

Quanto ao carro de combate LeopardIIA-6, acho que estamos todos de parabéns. Deixando de lado que Espanha tenha mais de 200 unidades desses, sem que a França também aparente propensões expansionistas, viaturas essas para além dos remanescentes M-60, e que nós substituiremos a totalidade dos 100 M-60 por apenas 37 LeopardII, acho que foi uma as melhores compra que se poderia esperar, e ainda para mais, porque relativamente a MBT's nunca se tinha falado muito disso anteriormente.

Tratam-se é certo de viaturas usadas, mas que receberam modernizações em 2001, e em óptimo estado de conservação e com poucas horas de uso, pelo que esta foi sem dúvida uma das melhores aquisições que o Exército recebeu no pós 25 de Abril de 1974.

Mas porquê 37 e não 35 ou 40 ou 50?

Porque seriam as unidades que a Holanda poderia disponibilizar?

Porque será o número adequado às necessidades.

Ou o número é constrangido pelas disponibilidades financeiras de momento?Parece-me um número pouco redondo, muito exacto demais, e que limita.

Ainda que se constituam 3 grupos de intervenção constituídos por 12 viaturas cada, dá 36 viaturas no total, permanecendo apenas e só uma de reserva.

No caso de se tratar de grupos de intervenção constituídos por 10 viaturas, já sobra uma margem de 7 viaturas de reserva.

Pode colocar-se a questão muito pertinente, de que hoje em dia, sem ameaças à integridade territorial do país, os MBT’s são viaturas pouco adequados e talvez isso explique a forma como a Holanda e Alemanha alienam grande parte dos seus stock’s de viaturas destas e a Bélgica chegou ao ponto de acabar com essa força no seu Exército.

No entanto, Portugal para ter MBT's e outro material para defender fronteiras perante um improvável ataque do "inimigo", precisaria de primeiro assegurar a superioridade e supremacia aérea.

Umas Forças Armadas curtas como as portuguesas têm que ser profundamente integradas nos 23 ramos que as constituem.

E daí a minha profunda discordância relativa à diminuição das capacidades de defesa aérea, com a anunciada venda dos 12 F-16 com MLU até 2011.

Gostaria muito que se arrepiasse caminho nessa área, já que esse me parece um erro crasso. Portugal precisa de mais e melhor e não de menos e pior.

A ignorância do grande público que agora se regozija ao ponto de referir levianamente a venda de 12 aviões que porque nunca chegaram a ser “desencaixcotados”, esquece que o problema não é terem sido comprados, porventura num outro enquadramento estratégico internacional, mas pelo facto de exactamente nunca terem sido desencaixotados apesar de já cá estarem há anos.

Nunca ninguém perguntou o porquê de nunca terem sido montados, o porquê de nunca terem sido submetidos a um programa acelerado de MLU para que Portugal pudesse contar com uma força aérea mínima que fosse.

E a quem pedir responsabilidades pelo ponto de desleixo profundo que significa adquirir equipamento militares, os kit’s que permitem que esses equipamentos sejam avançados e adequados aos novos cenários e necessidades modernas.

A venda ou a rendição nunca são a melhor solução para uma FA's que se querem modernizadas. Modernizar para depois vender?

Regressando aos MBT's:

É certo que são poucos, um número reduzido.

Gostaria que fossem pelo menos 50 unidades e que se mantivessem em operação pelo menos 50 dos M-60 que apresentassem boas condições de operacionalidade para mais uns anos.

No entanto, a juntar a esses quase 40 MBTs, teremos perto de 280 viaturas novas PandurII para o Exército e Marinha, ao nível terrestre e para intervenções no exterior transmitirá ao mundo uma melhor imagem, e sobretudo melhores capacidades, de acordo com as crescentes necessidades de intervenções fora das fronteiras.

E não meno importante:

Darão aos militares que com brio e profissionalismo têm representado Portugal e a Nação, um instrumento que não os ridicularize junto dos seus colegas.

E se integrados em forças multinacionais, poderão dar um bom contributo para que a imagem do país na NATO e no Mundo não se perca na insignificância e na pequenês a que tem sido sujeita.