Domingo, Janeiro 24, 2010


A bomba terremótica de Hugo

No meio da confusão provocada pela catástrofe no Haiti, o mundo todo tentou enviar para aquele destroçado país, a ajuda internacional que foi possível organizar.
Na frente do esforço internacional, destacam-se evidentemente, os Estados Unidos, o país que no mundo mais capacidade logística tem, o que é ainda mais importante, se tratandoe de uma pedaço de terra que não pode ser atingido sem um barco ou um avião.

O país norte-americano, encontra-se a apenas 1200km de distância por via aérea, o que faz com que seja o mais próximo de todos os países da região, com capacidade para enviar auxilio humanitário eficaz.

É naturalmente óbvio, que nenhum país além dos Estados Unidos tem a capacidade necessária para montar uma operação de assistência humanitária da dimensão e magnitude da que é necessária no Haiti.
A conhecida recusa dos Estados Unidos em colocar suas tropas sob comando das Nações Unidas tornou inevitável uma intervenção unilateral, combinada com o presidente do país do Caribe.

Conhecendo a situação real no Haiti, o comando das forças norte-americanas jamais poderia iniciar uma operação de ajuda humanitária, sem primeiro garantir a segurança de seu pessoal.
Sabemos que o Haiti está muito longe de ser um país onde esteja garantida a segurança mínima dos cidadãos e forças de ajuda humanitária seriam inevitavelmente os primeiros alvos de gangues que já existiam e que facilmente poderiam tomar conta da situação. Os brasileiros no terreno são as primeiras testemunhas disso.

O pequeno contingente das Nações Unidas já de si afetado pelo próprio sismo, não tinha capacidade para garantir a segurança do pessoal da ajuda humanitária e ao mesmo tempo ajudar em operações de salvamento. Além disso, as unidades comandadas pelo Brasil conheciam o terreno e seriam sempre muito mais úteis na ajuda direta à população. A ajuda americana foi por isso bem vinda, especialmente por aqueles que no terreno sofreram as consequências do desastre.

Ódio anti-americano e mentiras

Há porém em vários países do mundo, uma corrente - que não é nova, e cujas origens se encontram no mais fundo da Guerra-Fria - que parece interessada em continuar na linha de ódio e patético anti-americanismo típica do período em que Stalin, Krutchev ou Brejnev impunham com terror e sangue sua linha de pensamento, desde a capital imperial soviética até aos países dominados e amordaçados pelos regimes ditatoriais comunistas.
Esses setores, continuam tentando ver em todas as ações dos americanos uma demonstração de imperialismo, de maldade, de sacanagem, ignorando toda a ajuda, todos os milhões gastos pelos americanos num país que nunca vai poder pagar nada de volta.

Incapazes de ajudar o Haiti, os países que odeiam a América – e aqui inclui-se E.U.A. e Canadá - destilam seu ódio na forma de teorias da conspiração, cada uma mais patética que a outra, numa tentativa de esconder sua própria incompetência e sua própria incapacidade para apoiar os outros países quando é necessário.

De todas as teorias conspirativas, destaca-se uma que, como todas as teorias conspirativas tem uma origem disfarçada de pseudo-ciência, e que como todas as outras origina de obscuras universidades que nunca existiram, ou de entidades oficiais que nunca disseram nada do que lhes é referenciado.

A imprensa «marrom» e a bomba terremótica de Hugo

Ainda que no ocidente não nos tenhamos apercebido disso, apareceu há alguns anos na Rússia uma nova vaga de jornais online, que pretenderam preencher o vazio deixado pela imprensa séria, quando esta se recusou a baixar a cabeça perante o poder e o terror imposto por Vladimir Putin e organizações criminosas que o suportam.
É por isso que é comum aparecerem no ocidente referências a jornais russos que eram conhecidos no tempo da União Soviética.

O exemplo mais conhecido é o jornal PRAVDA (verdade em russo) e que era o órgão oficial do Partido Comunista Soviético.
O dito jornal, cuja assinatura era obrigatória na URSS para todas as entidades oficiais e organismos públicos foi dissolvido e passou a versão online.
O novo Pravda, como muitos outros jornais online na Rússia, já nada têm que ver com suas antigas raízes, mas a verdade é que o nome – que era a única coisa conhecida no ocidente – ficou associado à nova versão online.

A crise no Haiti, mostrou como funcionam os mecanismos da imprensa marrom russa, e a facilidade com que, utilizando a organização tentacular das agências de comunicação de Chavez e seus apaniguados, é possível inventar notícias e transformar teorias absurdas em notícias comentadas no mundo, como foi a notícia de que os norte-americanos foram sem dúvida os responsáveis pelo terremoto no Haiti.

A notícia da bomba atômica terremótica (segundo uns) ou arma de impulsos electromagnéticos (segundo outros), teve origem nessa mesma imprensa marrom russa. Alegadamente a bomba foi acionada pelos americanos para fazer um teste que resultou mal. A imprensa marrom russa afirmou que a marinha da Rússia avançou com a afirmação, mas absolutamente nenhuma informação sobre o assunto se confirmou ter origem em qualquer entidade próxima da marinha daquele país.
Também não foi explicado porque razão os americanos terão continuado ativando os terremotos no Haiti, mesmo depois de suas tropas terem desembarcado.

Irã também está na lista dos alvos a atingir pela bomba terremótica

A propaganda Chavista se agarrou-se à notícia sensacionalista e rapidamente o próprio Hugo Chavez berrava desde Caracas, que os americanos usaram a bomba terremótica para justificar a invasão do Haiti e ocupar a ilha.
Também parece que os russos dizem que os norte-americanos estão preparando a sua super-arma-terremótica para atacar e destruir o Irã.

As afirmações sobre armas esquisitas não são exclusividade da imprensa russa e de seu aliado chavista. Há alguns anos circulou na internet a notícia de que a Força Aérea Norte-americana tinha planos para produzir uma «bomba-gay», destinada a induzir comportamentos homossexuais nos militares inimigos. Como é normal nas teorias conspirativas, a notícia tinha um fundo de suporte técnico, mas não passou de uma hipótese teórica.
Não é impossível, que os Estados Unidos estejam mesmo desenvolvendo uma super arma terremotica-gay, que Deus nos salve dela e de seus nefastos perigos, pois destina-se provavelmente a qualquer função inenarrável. A bomba será provavelmente utilizada contra o Irã, país onde não existem homosexuais.

Na verdade, a afirmação de Chavez era tão absurda, que o próprio terá sido aconselhado por seus ministros a ficar calado, pois a notícia - se atingisse maior divulgação - poderia ser utilizada como prova de demência. A notícia sobre a bomba terremótica foi removida do sistema de propaganda Chavista «Telesur» e substituída apenas pelas acusações de invasão do Haiti.

Mensagem automática publicada por : J.P.B.

Sábado, Janeiro 09, 2010


MILITARES PELA CIDADANIA

Encontrado em: http://www.scribd.com/doc/22019292/MILITARES-PELA-CIDADANIA

Como dizem alguns teóricos, as regras e consequências do sistema capitalista inevitavelmente se ampliam a todas as sub-sociedades, ou sub-campos existentes, fazendo com que estes também sejam organizados segundo as leis gerais do mesmo, apresentando-se também divididos em classes sociais às quais correspondem papéis a serem exercidos, de dominação ou subordinação conforme a posição que ocupam nas diferentes estruturas de poder. Nesse caso poderíamos considerar que a oficialidade seja a camada "superior" enquanto os praças formam a camada "inferior" da estrutura militar.
Analisando segundo um ponto de vista Marxista, a categoria composta pelas praças das forças armadas seria uma "classe em si", pois possui prerrogativas, obrigações, ambientes de sociação, planos de carreira e funções específicas. Contudo, observamos que não é ainda uma "classe para si", pois permanece em uma situação diferente de grande parte dos grupos menos favorecidos nas estruturas de poder do séc.XX, visto que estes, depois de se reconhecer como classe, voltaram-se à desenvolver possibilidades de interagir para compensar as perdas comuns. Condição que resultou em um ambiente de sociação bastante abrangente, que ao longo do tempo levou diversos agrupamentos a conquistar o direito, hoje amplamente amparado pela Constituição Brasileira, de criar associações de classe, sindicatos etc.
Segundo dados do IBGE, o Brasil possuía, ainda em 2004, mais de 350.000 organizações não governamentais, entre elas estão os sindicatos, associações e cooperativas. Esse número nada desprezível mostra que para cada grupo de aproximadamente 550 brasileiros existe uma organização não governamental.

Embora a nossa sociedade esteja passando por esse momento de amplo associativismo, os membros das Forças Armadas brasileiras têm alguns obstáculos para se beneficiar dessa "onda", um deles é a grande quantidade de regras diferentes das estabelecidas para o restante da sociedade.

A associação para obtenção de melhores condições de trabalho nunca fez parte da cultura das praças das forças armadas, e existem regras, explicitas e implícitas, que combatem essa possibilidade. Na Marinha do Brasil, por exemplo, há um velho ditado que diz: "Mais de um é motim". No anexo "I" do Regulamento Disciplinar para o Exército, aprovado pelo Decreto Nº 4.346, de 26/08/2002, consta uma grande relação de proibições acerca de manifestações coletivas . Paradoxalmente, a própria Constituição Brasileira de 1988, estabelece que: "XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;"

Mesmo sob proibição e vigilância cerrada, ao longo dos anos ocorreram várias manifestações classistas advindas das camadas subalternas das forças armadas, todas visando melhores condições de trabalho. Nenhuma delas, apesar das acusações dos comandos militares, apresenta indícios concretos de que tenha sido motivada por ideais de ordem político-revolucionária, mesmo assim seus protagonistas, e os próprios movimentos, foram banidos da memória militar. A Revolta da Chibata e a Revolta dos Sargentos de Brasília, por exemplo, são encarados até hoje como tabu dentro das instituições militares, não sendo sequer citados nos currículos das escolas de formação de praças.
Mesmo sendo ampla maioria, as praças não têm nenhuma representação na elaboração das normas, decretos e leis pelos quais é determinado o seu quotidiano. É-lhes negado o direito de participar da elaboração de planos de carreira, escalas de serviço e regras particulares que especificam suas atividades, muitas vezes insalubres. Estas frequentemente são tarefas similares as realizadas por trabalhadores civis que contam com sindicatos e associações de classe para lhes amparar na conquista e preservação de direitos, ao mesmo tempo que orientam a classe patronal no sentido de preservar a integridade física e psicológica dos trabalhadores. Entre as profissões encontradas entre as praças das forças armadas, que comumente - quando realizadas por trabalhadores civis - têm especificações diferenciadas em relação à jornada de trabalho, equipamentos de segurança e ambiente especial, citamos: Soldadores, maçariqueiros, mecânicos, pintores, carpinteiros, enfermeiros, rádioperadores, controladores de vôo, mergulhadores, operadores de radio, motoristas e eletricistas.

Na atualidade as normas referentes à organização do trabalho levam em consideração não só a saúde do trabalhador, mas também toda a sua qualidade de vida, e devem incluir a valorização da pessoa humana e a satisfação profissional e social. Tal perspectiva emana do entendimento de que a qualidade de vida é um princípio fundamental para a organização do ambiente de trabalho, promovendo maior produção, satisfação pessoal e motivação. Ocorre que dentro das instituições militares, as praças, mesmo que executem tarefas similares às realizadas por trabalhadores civis, não são consideradas trabalhadores normais, e, conseqüentemente, não são amparadas pelas legislações trabalhistas e pela nova ótica de bem estar no trabalho, estando bastante defasados em relação às condições de trabalho concedidas ao trabalhador civil que executa as mesmas atividades.
Os regulamentos militares exaltam a obediência e execram a contestação e desobediência, para eles o bom militar é aquele que persegue obstinadamente o cumprimento de qualquer tipo de ordem superior, seja ela atirar no inimigo, seja pintar uma parede, seja descumprir a Constituição! , a menor hesitação pode ser considerada contravenção ou crime militar. Simplesmente comentar com um companheiro acerca de ilegalidade de uma determinação ou de dificuldades como ambiente inadequado, excesso de horas trabalhadas ou falta de equipamento para o cumprimento de uma tarefa, também poderá ser considerado indisciplina.
Nessa linha de raciocínio, já que a partir da suposta indisciplina advêm a punição, chegamos a (já famosa) questão da vedação constitucional ao Habeas corpus para os militares em caso de punições disciplinares. Alega-se que, este, se permitido afetaria a hierarquia e disciplina. Ora, fica a pergunta: A correção de uma punição injusta, por meio de habeas corpus, seria uma afronta à hierarquia e a disciplina?
Não seria mais injusto manter uma arbitrariedade?
No meio civil, que também é hierarquizado, o Habeas Corpus é um remédio legal contra abusos de autoridade e erros de interpretação da legislação. Nas forças armadas, onde pode-se dizer que há um "plus" em relação a hierarquia e disciplina, com possibilidade de que punições (inclusive de privação de liberdade) sejam impostas por autoridades com pouca ou nenhuma noção de ciências sociais aplicadas, nada mais obvio que permitir - e até agilizar - o uso desse eficaz remédio constitucional.
Justamente por conta da defasagem de direitos em relação à sociedade civil é que, ao longo dos últimos anos as associações de militares tem se esforçado por modificações na CF1988, lutando para que a sociedade militar seja amparada pela mesma onda de direitos que chega à sociedade em geral, contudo suas diretorias constantemente tem sofrido com perseguições e sanções, sendo constantemente acusadas de indisciplina por supostamente afrontar os regulamentos.

Historicamente as manifestações que partem das praças são consideradas ilegais. "Por outro lado, o alto comando das Forças Armadas, que tem sido sempre muito rigoroso em coibir as manifestações de indisciplina que, eventualmente partem de camadas subalternas da estrutura militar, tem trocado o rigor por condescendência sempre que essas manifestações partem do oficialato". (MOROSINI 1998)
Os vários manifestos elaborados pelo clube militar são um exemplo claro disso. Segundo Liseane Morosini (1998): Inúmeros exemplos dão conta de que o Exército e a Aeronáutica não apenas "protegeram" a estrutura hierárquica de comando na repressão a manifestações, como agiram sob formas diferenciadas no tratamento das mesmas. Nas revoltas lideradas por oficiais (...) muitas vezes houve condescendência. Mas, nas promovidas por praças, o argumento de corrosão da estrutura faz com que o combate seja sempre mais ostensivo. Provavelmente por conta da escolaridade da categoria, seu modo simples de falar e a falta de status social, suas manifestações são consideradas como precipitadas, descabidas ou impulsionadas por elementos de fora das forças armadas, subversivos ou agitadores (VASCONCELOS, 2008). Contudo, atualmente uma parcela considerável das praças tem formação superior, fator que poderia então, por essa ótica, validar os movimentos atuais.
Outra questão interessante e bastante discutida se refere à própria Justiça Militar. Em vários artigos jurídicos encontrados na internet se levanta a questão da composição dos conselhos de justiça, pelos quais se decide o destino dos militares acusados de crimes militares (a maioria são praças), estes conselhos contam somente com a oficialidade, sendo negado à outra parcela do contingente o direito de ser julgados também por seus pares .

Está em andamento desde o fim do sec. XIX um movimento silencioso - quase invisível aos olhos da sociedade civil - mas bastante abrangente, e que se agigantou nos últimos anos do sec. XX. O movimento congrega militares de todas as forças, visando a humanização das relações, melhores condições de trabalho e estabelecimento de limites legais para a dominação de uma classe sobre a outra. Contudo, além de todos os entraves legais que desestimulam a associação, as praças das forças armadas têm ainda que enfrentar o próprio habitus – para usar o termo no sentido em que o sociólogo Pierre Bourdieu o coloca – tendo que vencer o arraigado espírito militar, introjetado por anos de treinamento e convívio na caserna. Hoje a categoria, em vários locais do país, vem lutando por organizar-se e pelo direito de fundar associações que visam principalmente conquistar maior humanização das condições de trabalho e relações hierárquicas dentro da caserna.
As discussões nesse sentido são cada vez mais comuns, principalmente pela internet, espaço em que diversos militares, praças e oficiais, desafiam a proibição de se manifestar publicamente, discutindo soluções, vitórias, derrotas ou simplesmente expondo as situações vividas no quotidiano dos quartéis(...)
<<< http://www.scribd.com/doc/22019292/MILITARES-PELA-CIDADANIA
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*Autorizado pelo Autor.
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Mensagem automática publicada por : Gant

Segunda-feira, Novembro 23, 2009


Lei do abate contra Ahmadinejad

«Esse homem tinha de ser proibido de atravessar o espaço aéreo brasileiro e se atravessasse, teria de se autorizar o emprego da Lei do Abate.»

«Esse homem» é o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e o autor da frase é o ministro do Superior Tribunal Militar Flavio Bierrenbach, que se aposentou no passado dia 16 de Outubro. Para Bierrenbach, "o convite feito pelo Brasil ao presidente do Irã é uma bofetada na memória da Força Expedicionária Brasileira, que foi para a Europa lutar contra o nazismo".
A visita oficial ao Brasil estava prevista para o dia 6 de Maio e foi adiada a pedido de Ahmadinejad. O presidente do Irã provocou indignação e repúdio internacional ao negar reiteradamente a ocorrência do Holocausto, o extermínio de judeus pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Ahmadinejad classificou o Holocausto de mito: «[O Holocausto] é uma mentira baseada em uma alegação mítica e não comprovada», proclamou Ahmadinejad em setembro, em um discurso contra Israel na Universidade de Teerã.
Desde que assumiu a Presidência do Irã em 2005, ele defende essa tese. Ahmadinejad também é contestado internacionalmente por causa da política nuclear do Irã, refratária à fiscalização internacional. Para o ministro do STM, Ahmadinejad não é mais do que um «delinquente internacional». A amigos, Bierrenbach confidenciou a possibilidade de se dar voz de prisão ao ilustre visitante quando pisar em terras brasileiras.
Flavio Flores da Cunha Bierrenbach chegou ao STM em janeiro de 2000, nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Ex-réu naquele tribunal por sua militância contra a ditadura militar, Bierrenbach deu uma enorme contribuição para a abertura do tribunal e o fortalecimento de suas posições mais liberais.
Foi um dos articuladores da Carta aos Brasileiros, o movimento iniciado em 1977 que representou o início do fim da ditadura militar. Mesmo sem mandato, foi uma das cabeças pensantes mais ativas na Constituinte de 1988. Aposenta-se nesta sexta-feira, antecipando em dias sua aposentadoria compulsória. No próximo dia 25, ele completa 70 anos.

Hotel Brasil

O ministro, definitivamente, não está de acordo com a política externa do governo petista. Bierrenbach considera «um fiasco» a participação brasileira na crise de Honduras. Para ele, a política externa brasileira, desde o barão do Rio Branco, obedece, numa linha praticamente reta, a três princípios: independência, autodeterminação e paz. "Esse episódio arranhou esses três princípios. Um país que pretende ter uma projeção internacional tem de tratar um episódio internacional com a seriedade que a tradição impõe e com aquilo que a necessidade exige."
Lembrando que o presidente deposto, Manuel Zelaya, não era exilado político no Brasil, o ministro critica: "Criou-se uma nova categoria no Direito Internacional que é a de hóspede e hóspede para mim é coisa de hotel".
Afastado da Presidência e expulso de Honduras pelas Forças Armadas em 28 de junho último, Manuel Zelaya retornou ao país clandestinamente e itinerou-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa no dia 21 de setembro, onde permanece desde então negociando sua volta ao poder. Por falta de melhor definição jurídica, o governo brasileiro conferiu-lhe o status de hóspede da embaixada.
[1] - in Consultor Jurídico (conjur.com.br) / 14-10-2009

Mensagem automática publicada por : Eurico Batista

Terça-feira, Outubro 06, 2009


Para lá dos limites da sanidade

Em declarações à imprensa, Almeida Santos [1], brindou os portugueses com uma das mais estranhas afirmações sobre questões relacionadas com a defesa nacional, nomeadamente com a aquisição de meios militares por parte da marinha que foram produzidas nos últimos anos.

O antigo dirigente socialista, começa por afirmar que «devo ser um bocado burro», acrescentando de seguida que «em vez de submarinos, Portugal deveria comprar armas».

Se tais afirmações fossem proferidas por qualquer peixeira do mercado da ribeira (sem dúvida pessoas de grande dignidade, mas que não são conhecidas pela sua visão estratégica e sentido de estado), estariam perfeitamente enquadradas e seriam mesmo adequadas ao intelecto que as produziu, normalmente mais interessado no peixe, que noutras entidades subaquáticas.
Habituada a lidar com peixe, seria natural que a peixeira considerasse afinal, que andando dentro de água, o submarino era mais que qualquer outra coisa, um grande, um enorme peixe. E se é peixe, evidentemente não poderia ser uma arma…

O anacronismo a beirar o patético, e a estranha irritação com a aquisição de submarinos por parte do estado português, têm-se tornado cada vez mais vocais em sectores próximos do Partido Socialista, à medida que este partido se vai transformando numa espécie de delegação portuguesa do PSOE. Socialistas como Mário Soares, não escondem os seus objectivos finais de criação da Grande Ibéria, que para se formar precisa de fazer desaparecer a médio e longo prazo as forças armadas portuguesas.

Interesses espanhóis
De facto, a influência e pressão indirecta de entidades espanholas, e o desagrado do governo ou de entidades oficiais em Madrid para com aquela aquisição estão alegadamente entre as razões das criticas à aquisição daqueles meios.
As críticas e as pressões não foram directas, mas chegaram a Portugal através da imprensa, com a divulgação de notícias fabricadas segundo as quais a NATO, não queria que Portugal comprasse submarinos.

A verdade é que oficialmente a NATO negou que tivesse produzido alguma declaração nesse sentido, mas as pressões contra a aquisição efectivamente existiram e vieram de fora. Existiram, e transformaram-se em notícia e através da notícia em facto.
A estranha coincidência de posições entre personalidades do Partido Socialista em Portugal e os objectivos inconfessos dos grandes estrategas espanhóis mereceria ser analisada com cuidado.

Desmontando os argumentos
É difícil de chamar argumentação à «ladainha» do digníssimo ex presidente da AR. O próprio admite literalmente que pode ser «burro», e ao afirmar de seguida que Portugal precisa de armas e não de submarinos, parece confirmar a premissa.

Um país como Portugal, com uma reduzida expressão demográfica e territorial, mas que ao contrário controla uma Zona Económica Exclusiva enorme, tem que garantir não só a capacidade para controlar essas áreas vitais através do policiamento, como alem disso tem a obrigação de garantir o controlo dessas áreas marítimas, mesmo em circunstâncias excepcionais.

Possuir submarinos, é a mesma coisa que o pais possuir um exército. O exército não serve para policiar, mas em caso de situação extrema, é a última garantia de soberania nacional.

Da mesma forma que o país tem a obrigação de garantir essa soberania sobre o território nacional, tem igualmente o dever de garantir o mesmo tipo de controlo e soberania sobre as áreas marítimas que lhe estão legalmente atribuídas.

Não possuindo grandes e numerosos meios de superfície, dada a grande disparidade que existe entre a dimensão e capacidade económica do país por um lado e o gigantismo da sua Zona Económica Exclusiva, Portugal fica condicionado a utilizar meios militares de dissuasão.

Sistemas como os submarinos do tipo U-214, conhecidos na marinha portuguesa como U209PN, servem para garantir, com os seus meios técnicos, armamentos e capacidades, utilizando as tácticas dequadas, que Portugal pode de alguma forma condicionar e contestar o controlo dessas áreas marítimas.

Um país pequeno não precisa de ter umas forças armadas para ganhar um conflito contra um país grande. Um país pequeno precisa possuir os meios militares suficientes, para mostrar que a sua derrota será vendida a um custo tão alto, que não valerá a pena iniciar a tarefa.

Essa é a função dos submarinos, e a sua utilidade deveria ser simples de entender, para qualquer um.

Infelizmente, por alguma razão desconhecida, uma ex figura do estado, produziu declarações que por muito absurdas e descabeladas, chegaram à imprensa portuguesa.
As afirmações de Almeida Santos, são resultado da desatenção, ou então de algum estado mais ou menos febril.

Para a História, fica a irresponsabilidade e a falta de sentido de estado, já por tantas vezes demonstrada por Almeida Santos, quando em alturas extemporâneas, brinda os portugueses bolsando um chorrilho de disparates.


[1] Quem é Almeida Santos ?
Almeida Santos, é conhecido mais recentemente pela sua estranha personalidade, e por comportamentos igualmente estranhos, normalmente atribuídos a pessoas que há muito deixaram de estar na posse de todas as suas faculdades mentais.

[img2]Recentemente defendeu por exemplo a anacrónica construção do novo aeroporto de Lisboa no meio de um pântano e parcialmente em cima de uma montanha, porque colocar o aeroporto numa planície, implicava a construção de uma ponte, que se podia transformar em alvo da Alqaeda de Bin Laden.

O velho dirigente, apoiante do regime fascista antes de 25 de Abril de 1974, e «convertido» à democracia com a ajuda das sociedades secretas de «aventalarios», sempre dispostas a ajudar irmãos que podem ascender a cargos de importância, facilitando os negócios escuros que se tramam nos corredores corruptos do poder.

Esteve ligado às obscuras negociações que levaram à entrega de Moçambique a movimentos extremistas que após chegarem ao poder, se entregaram a uma orgia de terror e morte que conduziu a uma guerra civil.

Mais tarde tentou ser primeiro ministro, tendo na altura sofrido a mais humilhante derrota eleitoral na história do Partido Socialista.

Ainda mais tarde, foi agraciado com a nomeação para a presidência da Assembleia da República, cargo que há muito tempo era obrigatoriamente controlado por alguém ligado às sociedades secretas de que Almeida Santos fazia parte.

Abandonou a política, mas continua a produzir alguns artigos na imprensa, onde não expressa nem defende nenhuma linha coerente de pensamento. A idade, há muito que começou a trair a mente de Almeida Santos.

Mensagem automática publicada por : Paulo Mendonça

Terça-feira, Setembro 01, 2009


70 anos da II Guerra, lições por aprender

Quando às primeiras horas da madrugada do dia 1 de Setembro de 1939, os canhões do couraçado alemão Schleswig Holstein começaram a atacar os armazéns militares de Westerplatte, na região de Danzig teve inicio a II Guerra Mundial.

70 anos passaram , desde que a maior catástrofe que se abateu sobre a humanidade começou, mas passados 70 anos, aparentemente muitas das lições da História não foram aprendidas e os mesmos erros são repetidos.

A leste, nada de novo

Não deixa de ser curiosa a análise da História, quando nos lembramos que embora a Polónia tenha sido atacada pela Alemanha a 1 de Setembro de 1939, os alemães não apresentaram qualquer declaração de guerra.

Os hitlerianos utilizaram como argumento para a invasão, o massacre de populações civis alemãs. Sim, é verdade, os alemães inventaram um massacre em 1 de Setembro de 1939 para apresentar à sua própria opinião pública as razões que justificavam a invasão.

Os nazis realizaram cerimónias em homenagem aos mortos da barbárie polaca, que justificava a invasão e o envio das tropas do Reich contra a Polónia.

Em 2008, algo extremamente parecido ocorreu na Geórgia, onde um massacre inventado, conduziu à invasão por parte das tropas da Rússia.
Como com os hitlerianos em 1939, também a Rússia em 20008, de forma indigna e imoral inventou um massacre para atacar um pequeno país indefeso.

A Rússia, o mesmo país que invadiu a Polónia poucas semanas depois da invasão alemã, e que foi responsável durante os anos de ocupação, por um terror tão despótico como o dos nazis, e que assassinou a sangue frio em Katin, 17.000 militares polacos, encostados às valas comuns e mortos com uma bala na nuca.
A mesma Rússia, que volta nos primeiros anos do século XXI, a exigir que estes crimes sejam apagados dos livros de História.

A ocidente a determinação das democracias

Não deixa também de ser curioso que a única declaração de guerra que teve lugar em 1939, não tenha sido da Alemanha contra ninguém, mas sim da Grã Bretanha e algumas horas depois da França contra a Alemanha.

Os alemães não esperavam. Estavam certos de que mais tarde ou mais cedo haveria guerra, mas não a esperavam em 1939. Basta dizer que a Alemanha atacou a Polónia sem ter tanques médios e com meios relativamente ligeiros, beneficiando muito mais da capacidade de organização e comunicação que da qualidade do seu material.
A marinha Alemã não tinha navios à altura, e quando começou o conflito não podia lutar de igual para igual nos mares, nem sequer com a marinha francesa.

As democracias ocidentais eram vistas como decadentes e depois da «rendição» em que entregaram a Checoslováquia aos nazis em 1938, a invasão da Polónia parecia apenas mais uma operação normal e sem consequências.

Grã Bretanha, a causadora da II Guerra
Pode parecer estranho a quem ler a História, mas durante a primeira fase da guerra, a Alemanha nazi mantinha junto da sua população, a ideia de que não queria qualquer guerra e que o conflito tinha sido imposto à Alemanha pela Inglaterra e pela França.
Depois da queda da França em 1940, os nazis continuaram a afirmar que queriam a Paz e endereçaram mesmo aos britânicos propostas de Paz.

Aos olhos de muita gente, o mundo ocidental, ou as democracias, eram considerados os agressores, enquanto as ditaduras apenas queriam a Paz e o desenvolvimento das suas populações.

Hoje, quando as democracias lutam contra o terror imposto pelos movimentos terroristas, na maioria dos casos suportados pelo dinheiro da cocaína (FARC) ou da heroína (Taibã), e apoiados por ditaduras encapotadas, alguns pseudo intelectuais cospem a sua raiva contra o facto de os países chamados ocidentais, defenderem coisas simples e princípios básicos, como fizeram em 1939, mesmo que a defesa desses princípios não possa ser feita como seria desejável.

Os mesmos argumentos que foram utilizados pelos nazistas (e também pelos comunistas antes de 22 de Junho de 1941) são utilizados hoje, pelos mesmos sectores extremistas, que advogam que o mundo ocidental se deve render, deve baixar os braços e não deve ter princípios.

As criticas que proto-ditadores como Hugo Chavez, ditadores assumidos como Fidel Castro I, Fidel Castro II ou Mahmoud Achmadinejad, dirigem ao mundo ocidental e acima de tudo à Democracia, são as mesmas criticas, utilizando os mesmos argumentos que Goering, Estaline, Goebbels ou Hitler utilizavam quando em 1939 atacaram a Polónia.


Aqueles que não aprendem as lições da História estão condenados a vive-la outra vez.

Mensagem automática publicada por : Paulo Mendonça

Quarta-feira, Julho 15, 2009


Submarino nuclear brasileiro. Porquê o Scorpene ?

A questão da construção no Brasil de um submarino ou classe de submarino nucleares de ataque, tem despertado interesse desde que no final dos anos 70 o projeto da marinha começou a ser discutido.

Ao longo de um longo período de tempo, o desenvolvimento de um sistema de propulsão por parte da marinha brasileira foi tomando forma, até que atingiu um estágio aceitável, permitindo à marinha brasileira dispor de um sistema propulsor suficientemente pequeno para instalar a bordo de um navio e suficientemente poderoso para permitir que ele se deslocasse a uma velocidade aceitável.

Segundo os dados disponíveis, o sistema (reator) nuclear desenhado no Brasil, tem uma potência na casa dos 10.000 cavalos de potência aplicada ao eixo da hélice [1], o que é equivalente à potência dos submarinos nucleares da classe Rubis francesa lançados entre 1983 e 1993.

Onde colocar o reator nuclear ?

A construção do reator nuclear é importante, porque se trata normalmente da tecnologia que por razões estratégicas e tratados internacionais não é fácilmente cedida por uns países aos outros.
Embora não se trate de um equipamento militar (um reator nuclear para aplicação naval, obedece aos mesmos princípios de um reator nuclear civil), ele continua sendo considerado estratégico, o que aumenta a possibilidade de se levantarem questões políticas.

A partir do momento em que o sistema ficou pronto, era necessário prosseguir com o projeto, pois ter um reator nuclear não serve de nada se ele não for utilizado para locomover um navio.
A marinha brasileira lutou com várias dificuldades, nomeadamente financeiras, para desenvolver o reator, mas o desenvolvimento do sistema que produz energia a partir da fissão nuclear, ainda que custoso e demorado, não é nem de perto nem de longe o item mais caro no desenvolvimento de um submarino.
Portanto, a marinha ficou perante uma situação em que o programa do Submarino Nuclear Brasileiro, era nuclear, era brasileiro, mas não era submarino.

Encontrar uma plataforma base para colocar o reator, tornou-se então na prioridade seguinte.
A primeira coisa a fazer, era olhar para a capacidade já instalada e que permitiu ao Brasil lançar o primeiro submarino de construção nacional, o Tupi, um derivado da classe U-209.

Mas as tecnologias que o Brasil passou a dominar, não eram suficientes para entrar no desenvolvimento de um sistema completo, pois embora o Brasil tivesse demonstrado capacidade para construir o submarino Tupi, ele não deixou em grande medida de ser um submarino montado no Brasil, com grande parte dos seus componentes importados.

Se ficou óbvio que o Brasil não tinha capacidade para desenvolver sozinho o submarino nuclear num tempo útil, era evidentemente necessário encontrar um parceiro tecnológico que facilitasse o desenvolvimento do sistema.

Considerando o posicionamento geoestratégico do Brasil, a possibilidade de cooperação com a Rússia era pouco recomendável e além disso a industria naval daquele país não parecia (como continua a não parecer) estar à altura de responder às necessidades. Isto implicava que só os países ocidentais estariam em condições de apoiar o Brasil no desenvolvimento do equipamento.

Mas grande parte desses países sempre levantou problemas com o desenvolvimento de sistemas sensíveis fora da Europa e dos Estados Unidos, pelo que os próprios Estados Unidos e a Grã Bretanha estavam de fora como potenciais fornecedores do projeto.

Restavam assim dois países que poderiam ajudar a marinha do Brasil no desenvolvimento de um novo sistema submarino. A Alemanha e a França.

A Alemanha era a opção normal, porque afinal foi o país que colaborou com o Brasil no desenvolvimento das atuais capacidades da marinha na construção e manutenção de submarinos da classe U-209.
Mas a Alemanha, produzindo várias classes de submarinos e tendo uma experiência que evoluiu já desde a II Guerra Mundial, nunca desenvolveu um sistema submarino movido a energia nuclear.

A opção U-214 dos alemães

As negociações com os alemães levaram inicialmente ao anuncio da escolha do submarino U-214 para a marinha brasileira.
A escolha parecia fazer todo o sentido, pois como submarino convencional o U-214 pode ser em vários aspectos considerado superior ao Scorpene, embora essa superioridade seja apenas pontual.

O Brasil ganharia mais conhecimentos, nomeadamente no que respeita às ligas de aço utilizadas pelos alemães, mas o país ficaria habilitado a construir submarinos convencionais de topo de gama, mas o desenvolvimento do submarino nuclear continuaria sendo um projeto completamente novo que teria que ser construído de raiz.

O Brasil aliás, anunciou que não estava interessado no sistema de propulsão AIP, especulando-se que o sistema AIP é visto como um concorrente da propulsão nuclear, sendo muito mais barato de construir e manter mas não possuindo a potência necessária para propelir um submarino a longas distâncias.
Este anuncio só por si, implicaria que o U-214 do Brasil teria que ser um sistema diferente, pois o U-214 não existe numa versão sem AIP, tendo sido desenhado e concebido para utilizar um sistema compacto de células de combustível de Hidrogénio.

A opção Scorpéne dos franceses

Se há um ponto onde o submarino Scorpene pode ser considerado inferior ao U-214, provavelmente será no seu sistema de propulsão independente do ar, conhecido como MESMA. Trata-se de um sistema que utiliza a queima de Etanol junto com Oxigénio líquido para produzir vapor, que por sua vez vai carregar baterias que depois alimentam os motores eléctricos.
Este sistema aproveita apenas 25% da energia produzida, e atinge temperaturas de 700 graus, que implicam a necessidade de arrefece-lo com água do mar [2].

O sistema MESMA não é visto como muito eficiente e na verdade, o Chile que foi o primeiro cliente não comprou esse sistema, a Malásia também não, a India inicialmente adquiriu apenas três submarinos com esse sistema, o Brasil não quis o MESMA e a Espanha está construindo os seus Scorpene com um sistema de células de combustível.

Mas se o sistema MESMA não é o mais eficiente dos sistemas AIP, ele tem aparentemente uma outra vantagem para o Brasil, que está relacionada com o conceito inicial de desenho do submarino.

Ao contrário dos alemães, os franceses ofereceram o Scorpene em duas versões. Uma com AIP e outra sem AIP. Neste último caso com a possibilidade de incorporação futura daquele sistema auxiliar de propulsão.
Assim, o Scorpene foi desenhado para ser relativamente simples para qualquer estaleiro com essa capacidade, cortar o submarino em dois, e incluir um módulo adicional que contém o sistema AIP.

O que o submarino Scorpene tem que o U-214 não tem ?

Como já afirmámos anteriormente, embora na equipe que desenhou o Scorpene estivessem engenheiros que também desenvolveram submarinos nucleares, o submarino é um submarino convencional de ataque que tem relativamente pouco a ver com os submarinos nucleares.
Como submarino convencional de ataque, o Scorpene tem sistemas idênticos ao U-214, com a «desvantagem» de o seu sistema AIP, quando instalado ser normalmente considerado menos eficiente. A sua ligação com submarinos nucleares é pouco mais que um argumento de vendas.

No máximo, os franceses aproveitaram os estudos hidrodinâmicos que foram feitos às pressas quando os submarinos nucleares franceses da classe Rubis se mostraram demasiado barulhentos.
Aliás o que é provável é a existência de soluções nos submarinos da futura classe Barracuda de submarinos nucleares, de soluções que tenham sido estudadas para o Scorpéne.



Mas para o Brasil, que não nos podemos esquecer, precisa encontrar uma solução para colocar seu reator nuclear, a configuração do Scorpéne, parece apresentar vantagens face ao U-214.
O submarino francês, não está preparado para a conversão para submarino nuclear. Isso seria impossível. Mas o objetivo brasileiro é o de desenvolver as capacidades que permitam construir o navio no Brasil, ganhando assim experiência na construção de navios do tipo, e especialmente de navios que foram configurados para permitir a colocação de um módulo adicional, que aplicado num «Scorpene» maior e de maior diâmetro, poderá servir como base para o futuro submarino nuclear brasileiro.

Não veremos seguramente um Scorpene, com um anel adicional com um reator nuclear instalado em substituição de um sistema MESMA, mas poderemos ver um Scorpene modificado, com maior diâmetro e seguindo a mesma configuração base, que permite isolar o reator do resto do submarino.
Os conhecimento para fazer isto, e a colaboração da industria francesa para atingir esse objetivo, é o que na realidade eleva os custos do projeto Scorpene para os valores que recentemente foram apresentados pela imprensa.

Este tipo de colaboração, nunca foi prevista com os estaleiros alemães, pois se é verdade que - conforme alguns comentadores afirmam - os alemães também poderiam estudar a possibilidade de instalar um sistema de propulsão nuclear e apoiar a sua construção, também é igualmente verdade que embora eles tenham experiência na construção de submarinos convencionais, eles não têm qualquer experiência na construção de submarinos movidos a energia nuclear, além de que não existem garantias de que não haveria problemas do ponto de vista político.

A verdade sobre os custos do programa nuclear

O que provocou nos últimos dias mais «sururu» ao nível de alguma midia brasileira e opinião pública, foi a revelação de forma mais ou menos «crua» do valor do programa acordado com os franceses de 6.7 bilhões de Euros.

O valor é alto, e inevitavelmente a dimensão do investimento assusta muita gente e pode ser utilizada como argumento politico em período quando se aproxima um período eleitoral.
A critica aos investimentos militares é normalmente terreno fértil para as guerras entre partidos e entre candidatos, porque a dimensão dos investimentos militares assusta qualquer um e a critica a esses gastos pode render votos com alguma facilidade.

Mas pior que os 6.7 bilhões de Euros ou 18.4 bilhões de Reais, é a possibilidade de este valor cobrir apenas uma parte do investimento total relacionado com o programa nuclear brasileiro. A ideia de que a industria brasileira consegue sempre «baratear» os custos, não corresponde à realidade e pode até acontecer o inverso.
O auxilio dos franceses terá sempre limites e deverá estar condicionado por prazos e por objetivos que devem ser atingidos dentro de um determinado espaço temporal.
O valor cobre quatro submarinos Scorpene e apoio no desenvolvimento de um submarino nuclear de ataque. Se cada navio Scorpene custar 400 milhões de Euros, isso implica que 5.1 bilhões serão destinados ao submarino nuclear. Uma unidade.
Uma unidade e nada é praticamente a mesma coisa. Se não for desenvolvida uma classe de no mínimo três unidades.

A importância de informar

A informação para a opinião pública sobre os gastos do programa é da maior importância, pois o submarino vai ficar muito caro, mas não é aconselhável «cortar» verbas num programa onde a segurança assume uma importância vital.
O programa do submarino nuclear brasileiro poderá não sobreviver, se qualquer problema de desenvolvimento ocorrer a meio do caminho numa altura em que uma opinião pública adversa, esteja olhando para esse programa como um gasto inútil.

O programa nuclear brasileiro é acima de tudo uma afirmação política e não um programa militar. Só possuem submarinos de propulsão nuclear os Estados Unidos, a Rússia, a França e a Grã Bretanha e a China. A própria Índia decidiu adquirir os seus primeiros submarinos de ataque movidos a energia nuclear comprando dos russos.

Países com grandes recursos tecnológicos e financeiros como o Japão e a Alemanha optaram por não seguir por esse caminho.

A ideia de que o Brasil precisa de um submarino rápido que possa patrulhar a «Amazónia azul» é pouco consistente, pois a presença nessas águas precisa de navios de patrulha oceânica para «mostrar bandeira» e patrulhar as águas.
O Brasil sempre assumiu um posicionamento de não intervenção em questões internacionais, pelo que o seu posicionamento defensivo dificilmente justifica a aquisição de tal tipo de arma por razões militares, ainda mais porque para patrulhar mesmo em áreas oceânicas, os novos submarinos oceânicos com AIP são igualmente eficientes e muito mais baratos.

Resta aos políticos explicar e justificar a mais cara aquisição militar alguma vez feita pelo Brasil.


[1] – A potência nominal será de aproximadamente 50MW.
[2] – Em comparação o sistema AIP alemão atinge no máximo 80 ºC, é arrefecido por um sistema interno e aproveita 70% da energia, porque as células de combustível alimentam diretamente o motor eléctrico.

Luis Carlos / P.Mendonça

Mensagem automática publicada por : Luis Carlos Gomes

Quarta-feira, Maio 20, 2009


Não subestimem a Russia

Muitos analistas ocidentais, mantendo uma tradição histórica, costumam generalizar e simplesmente ignorar, quando o assunto é a Rússia. Trata-se da continuação dos velhos preconceitos da Guerra Fria, na qual os malvados soviéticos cozinhavam criançinhas e as comiam com Vodka.

Percebe-se em inumeros artigos, neste site e em outros, que as analises feitas sobre as forças russas limitam-se a dizer : " esta tudo sucateado" , " falta dinheiro para tudo" , " os americanos são melhores" , ou outras opiniões especulativas que simplesmente dizem que a Rússia não teria a menor chance contra os ocidentais.

Certas analises descambam para violentas criticas contra Vladimir Putin, caracterizando-o como um perverso ditador malvado, discípulo de Stalin. Sugiro, ao mantenedores deste site, que não realizem criticas politicas em assuntos militares. Além disso, lembrem-se que um só Sovremeny pode destruir metade de uma esquadra americana em vinte segundos, da mesma forma que nada no mundo se compara aos Sukhois, bulavas ou Typhoons.

Não subestimem o Urso. Os russos ja provaram do que são capazes, e é exatamente a política de Vladimir Putin que impediu que um cara mais radical esmagasse os georgianos. ONDE ESTÁ A REFERENCIA AO MASSACRE DOS CIVIS DA ABKHAZIA POR PARTE DA GEORGIA ??

Mensagem automática publicada por : Wagner