terça-feira, julho 25, 2006


Quem muito se rebaixa...

Estava-se no ano de 1995, o Primeiro Ministro chamava-se Aníbal Cavaco Silva e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Durão Barroso.

Portugal e os EUA chegavam a um acordo sobre o aluguer da base aérea das Lajes, de reconhecida importância estratégica para Washington, comprovada pelo uso intenso ao longo de décadas.

Durão Barroso proclamava o sucesso das negociações que tinham resultado num acordo dito favorável aos interesses de ambos os países: «Entramos numa nova fase do relacionamento entre os Estados Unidos e Portugal», porque as verbas pagas pelos americanos deixavam de reverter para as FAs portuguesas e passavam a ser aplicadas nos Açores, em projectos sociais, educacionais e científicos. Que verbas? O acordo, válido por cinco anos, determinava que a renda anual fosse de 7 milhões de dólares; na altura, o equivalente a 1,5 milhões de contos. Na altura, não chegava para comprar um tanque M-1 Abrams.

O acordo de 1995 vigorou até 2000, altura em que, a pedido dos EUA, o governo de António Guterres aceitou que fosse extendido por mais um ano. Assim, o enquadramento legal do uso da base por parte dos EUA terminou em 2001.

E desde então nada foi feito. Os EUA continuaram e continuam a usar a Base das Lajes sem qualquer acordo nem compensação para Portugal. Ao ponto de durante a Cimeira dos Açores (Bush, Blair, Aznar e Barroso), os media norte-americanos usaram e abusaram da expressão «base americana dos Açores».

A situação dispensa comentários.

Agora vou citar uma notícia do Diário Digital, de 14 deste mês:

Quirguistão: EUA mantêm base aérea por 120 M€

Os Estados Unidos acordaram esta sexta-feira com o Quirguistão manter por cerca de 120 milhões de euros/ano a base militar em Manas, perto de Bishkek, no coração da Ásia Central, considerada de grande importância estratégica face ao vizinho Afeganistão.
A base foi instalada em 2001, ano do derrube do regime dos talibãs no Afeganistão, após os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
A compensação anual de cerca de 120 milhões de euros traduz-se em assistência a dar ao regime do Presidente Kurmanbek Bakyiev - que ascendeu ao poder na sequência da chamada Revolução da Tulipa, em Março de 2005 -, mas terá ainda de ser aprovada pelo Congresso.
O protocolo foi assinado pelo subsecretário adjunto para a Defesa norte-americano, James MacDougall, e pelo chefe do Conselho de Segurança do Quirguistão, Miroslav Niazov.
O regime de Bishkek chegou a pedir acima de 160 milhões de euros/ano pelo aluguer da base, tanto mais crucial para Washington quanto, desde Novembro de 2005, ficou sem a que tinha no Uzbequistão, por condenar o massacre de Andijan (Vale de Fergana, leste).
A Rússia também tem desde 2003 uma base militar no Quirguistão, a pouca distância de Manas.


Refira-se que o anterior aluguer da base de Manas era de 2 milhões de dólares por ano.

Parabéns ao Diário Digital: que eu desse por isso, foi o único órgão de informação português a noticiar isto.

E parabéns ao Quirguistão.

JQT

quinta-feira, julho 20, 2006


Saudades de Ronald Reagan

O conflito israelo-árabe reacendeu-se mais uma vez, e
mais uma vez para servir os interesses de uma potência
interessada em desviar a atenção dos EUA. Até 2003,
foi o Iraque a patrocinar a instabilidade na
Palestina, em particular através da «2ª Intifada», em
reacção à eleição de George W. Bush em 2000, como
forma de adiar a guerra que destituiria Saddam Hussein
do poder. Saddam chegava, inclusivamente, a pagar 20
mil dólares às famílias dos bombistas suicidas
palestinianos. Uma das justificações dos EUA para
invadir o Iraque foi precisamente o facto do regime de
Badgad ser apoiante do terrorismo, o que - pelo menos
na Palestina - era totalmente verdadeiro.

Acabado Saddam, o Irão (que nunca deixou de auxiliar o
Hezbollah e os grupos palestinianos, incluindo a Fatah
de Yasser Arafat) passou a ser o grande apoiante do
terrorismo na região. Mas o facto é que os esforços do
Irão em sustentar a instabilidade foram comprometidos
pelo sucesso da estratégia de Ariel Sharon de, por um
lado, assegurar a protecção de Israel (racionalizando
o seu esforço de defesa e construindo o muro de
segurança) e de, na pratica, obrigar os palestinianos
a assumirem o estado que reclamam, pondo a nú a sua
incapacidade em governarem-se.

Necessitando de novos focos de instabilidade para
desviar as atenções internacionais (ao mesmo tempo
em que prosseguia o seu programa nuclear), o Irão
apostou também em provocar uma guerra civil no Iraque
pós-Saddam. Mas também aqui a estratégia de Teerão
falhou. Apesar dos atentados brutais que o país
conhece praticamente todos os dias, o facto é que se
essa guerra não aconteceu até agora é porque já não
vai acontecer.

Pelo meio, houve ainda o episódio da orquestração da
raiva muçulmana contra as caricaturas dinamarquesas de
Maomé, muito tempo depois de estas terem sido
publicadas.

Que alternativas restavam ao Irão? Poucas. Assim,
jogou a cartada libanesa, em conjunto com a Síria
(dando-lhe a oportunidade de se vingar da sua expulsão
pacífica deste país). Uma guerra combatida por
procuração, como sempre, através do Hezbollah, feita
de forma a obter a previsível retaliação israelita.
Ainda para mais porque o Irão forneceu armamento poderoso
e sofisticado ao seu aliado local, que poderá ter sido
até complementado com tropas iranianas (recorde-se que
os Pasdaran também combateram na Bósnia-Heezagovina).

A situação gerada cria o cenário perfeito para uma
intervenção militar internacional (como já sucedeu
neste país, no passado), que obrigará a uma presença
militar numerosa e prolongada, à semelhança do sucedido na
ex-Jugoslávia. E assim se desviam ainda mais os
recursos dos países ocidentais, já de si tornados
escassos nos casos europeus, por opções políticas
demagógicas. Kofi Annan e a França (que mais uma vez
não perdeu a oportunidade de fazer duas das coisas
para que tem mais jeito: lamber as botas ao mundo
árabe, e falar em nome da Europa sem pedir autorização
a ninguém) foram os primeiros a cairem na armadilha.

Por seu lado, Israel está a pagar o preço da decisão
errada de Ehud Barak de retirar do Sul do Líbano,
deixando o caminho aberto para o estabelecimento do
Hezbollah na fronteira israelita. Nessa altura já
estava demonstrado que de nada servia entregar
território em troca de promessas de retoma do processo de paz,
porque - entre outras razões - os líderes
palestinianos dependiam da situação de guerra para se
manterem no poder.

Agora é a vez dos libaneses serem (mais uma vez) as
vítimas da vontade dos seus "irmãos" árabes de
manterem o conflito israelo-árabe aceso.

Comparando com a guerra dos anos 70-80, os EUA estão a
simplesmente assistir ao conflito sem nada fazerem.
Por um lado, é compreensível uma vez que não querem
cair da armadilha iraniana, caíndo em mais um
atoleiro. Mas também é certo que a inacção dos EUA
está a permitir que o conflito tenha tomado de um dia
para o outro proporções verdadeiramente preocupantes.
Mesmo que seja do interesse do Ocidente deixar Israel
desfazer o Hezbollah.

É nestas alturas é que se sente saudades de ter alguém
como Ronald Reagan na Casa Branca (na minha opinião,
aquilo de que a política americana mais precisa nos
tempos que correm). Com ou sem URSS, Reagan já teria
colocado um porta-aviões na zona no dia seguinte e
obrigado a Síria e o Irão a puxarem as rédeas ao
Hezbollah. Não haveria força de paz internacional nem o
Irão estaria a conseguir desviar as atenções de si próprio.

JQT

terça-feira, julho 18, 2006


O que aconteceu à corveta israelita Hanit ?

Os danos provocados a uma corveta da marinha de Israel por projecteis com origem em terra, alegadamente disparados pelo movimento integrista islâmico Hezbollah, levantam várias duvidas sobre a qualidade dos sistemas a bordo do navio da marinha de Israel, nomeadamente por ele ser um dos mais modernos navios de guerra em operação no mediterrâneo.

As fragatas da classe Eilat, foram fabricadas nos Estados Unidos e transportadas para Israel onde a maioria dos sistemas electrónicos foram instalados.

Pode-se dizer que se trata de uma montra da tecnologia israelita, com os seus radares Elta e os seus mísseis Barak, que são exactamente os sistemas que supostamente deveriam identificar os mísseis e disparar contra eles.

Ao que se sabe, ao principio da noite, quando a maior parte da tripulação se preparava para festejar a bordo o Sabath judaico, a fragata foi violentamente sacudida por uma explosão.

Nenhum dos relatos conhecidos refere a existência de qualquer disparo por parte dos sistemas do navio, pelo que parece lógico concluir que estes não funcionaram.

O engenho que explodiu, danificou a parte traseira da corveta e o sistema propulsor, em principio os motores Diesel, o que levou a que a corveta tivesse que ser rebocada até Haifa.

De entre as várias possibilidades uma das que faz mais sentido é a que considera que o ataque foi efectuado com dois mísseis diferentes, descrevendo trajectórias diferentes, com o objectivo de confundir o sistema de defesa da corveta.

Assim, o primeiro míssil, que poderá ter sido um C-802, que é um missil anti-navio fabricado na china e inspirado no Exocet MM-40 de fabrico francês. Esse primeiro míssil terá descrito uma trajectória a maior altitude, mas provavelmente por causa do desenho Stealth da corveta, não a identificou, e prosseguiu o voo até atingir um navio civil de bandeira egípcia, que foi afundado praticamente no limite do míssil, a cerca de 40Km da costa.

O segundo míssil, mais pequeno e de voo rasante, poderá ter sido disparado utilizando controlo por infravermelhos ou controlo por câmara de televisão. Desta forma, não seria necessária a utilização de nenhum outro tipo de sistema emissor (radar) que pudesse ser detectado pela corveta.

Várias fontes, afirmam que a corveta Hanit, não tinha os seus sistemas defensivos ligados, porque não era previsível que um ataque com aquelas características ocorresse, reduzindo assim a assinatura da fragata em qualquer sistema de radar.
No entanto, mais recentemente, novos dados afirmam que os sistemas de defesa estavam de facto ligados, mas que não tinham sido introduzidos os dados que permitiriam identificar o tipo de míssil ou mísseis anti-navio que foram utilizados contra a corveta.

Ou seja: A corveta estava pronta para agir automaticamente contra ameaças como barcos ou lanchas guiadas, mas não tinha nos seus computadores o perfil de detecção que permitiria identificar um míssil C-802 (ou outro) e responder à ameaça da forma mais adequada.

A razão de o perfil daqueles mísseis não estar incluído nos sistemas, decorre de erros na informação disponível pelos serviços secretos de Israel sobre as reais capacidades que o movimento Hezbolah tem para manusear equipamentos com um considerável grau de complexidade tecnológica.

Em circunstancias normais o sistema de mísseis defensivos, deveria detectar os mísseis que se aproximavam e lançar vários mísseis anti-missil Barak na sua direcção com o intuito de os destruir.

O sistema Barak está ao serviço em Israel e também ao serviço em navios de guerra da marinha da India.

Mensagem automática publicada por : Paulo Mendonça

terça-feira, julho 04, 2006


Os MBT's Leopard2-A6 e o novo Ministro da Defesa

O novo Ministro da Defesa, a anunciada compra de MBT’s e a LPM

Tenho a ideia de que o nosso actual ministro da defesa, o Prof. Nuno Severiano Teixeira é uma pessoa mais conhecedora e sensível aos problemas e questões de Defesa e Segurança que o anterior ministro Luís Amado.

No entanto, e com um horizonte temporal de 20 anos no Governo e com a LPM já aprovada, não creio que hajam agora mexidas ao nível da Defesa, no que respeita a reequipamento e aliás, o Ministro já afirmou ontem na tomada de posse que pretende dar continuidade à politica na Defesa.

Poderá querer eventualmente deixar a sua marca no pouco tempo que lhe resta se conseguir acelerar programas que se arrastam inexplicavelmente no tempo, e estou a pensar neste momento na arma ligeira que substituirá as vetustas G-3 e eventualmente definir qual os helis ligeiros para o Exército e FAP e lançar pelo menos o concurso.

Pouco mais poderá fazer.

Uma boa prenda par a Marinha seria a abertura para a aquisição de um novo AOR e eventualmente acelerar o calendário de construção do LPD.

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Quanto ao carro de combate LeopardIIA-6, acho que estamos todos de parabéns. Deixando de lado que Espanha tenha mais de 200 unidades desses, sem que a França também aparente propensões expansionistas, viaturas essas para além dos remanescentes M-60, e que nós substituiremos a totalidade dos 100 M-60 por apenas 37 LeopardII, acho que foi uma as melhores compra que se poderia esperar, e ainda para mais, porque relativamente a MBT's nunca se tinha falado muito disso anteriormente.

Tratam-se é certo de viaturas usadas, mas que receberam modernizações em 2001, e em óptimo estado de conservação e com poucas horas de uso, pelo que esta foi sem dúvida uma das melhores aquisições que o Exército recebeu no pós 25 de Abril de 1974.

Mas porquê 37 e não 35 ou 40 ou 50?

Porque seriam as unidades que a Holanda poderia disponibilizar?

Porque será o número adequado às necessidades.

Ou o número é constrangido pelas disponibilidades financeiras de momento?Parece-me um número pouco redondo, muito exacto demais, e que limita.

Ainda que se constituam 3 grupos de intervenção constituídos por 12 viaturas cada, dá 36 viaturas no total, permanecendo apenas e só uma de reserva.

No caso de se tratar de grupos de intervenção constituídos por 10 viaturas, já sobra uma margem de 7 viaturas de reserva.

Pode colocar-se a questão muito pertinente, de que hoje em dia, sem ameaças à integridade territorial do país, os MBT’s são viaturas pouco adequados e talvez isso explique a forma como a Holanda e Alemanha alienam grande parte dos seus stock’s de viaturas destas e a Bélgica chegou ao ponto de acabar com essa força no seu Exército.

No entanto, Portugal para ter MBT's e outro material para defender fronteiras perante um improvável ataque do "inimigo", precisaria de primeiro assegurar a superioridade e supremacia aérea.

Umas Forças Armadas curtas como as portuguesas têm que ser profundamente integradas nos 23 ramos que as constituem.

E daí a minha profunda discordância relativa à diminuição das capacidades de defesa aérea, com a anunciada venda dos 12 F-16 com MLU até 2011.

Gostaria muito que se arrepiasse caminho nessa área, já que esse me parece um erro crasso. Portugal precisa de mais e melhor e não de menos e pior.

A ignorância do grande público que agora se regozija ao ponto de referir levianamente a venda de 12 aviões que porque nunca chegaram a ser “desencaixcotados”, esquece que o problema não é terem sido comprados, porventura num outro enquadramento estratégico internacional, mas pelo facto de exactamente nunca terem sido desencaixotados apesar de já cá estarem há anos.

Nunca ninguém perguntou o porquê de nunca terem sido montados, o porquê de nunca terem sido submetidos a um programa acelerado de MLU para que Portugal pudesse contar com uma força aérea mínima que fosse.

E a quem pedir responsabilidades pelo ponto de desleixo profundo que significa adquirir equipamento militares, os kit’s que permitem que esses equipamentos sejam avançados e adequados aos novos cenários e necessidades modernas.

A venda ou a rendição nunca são a melhor solução para uma FA's que se querem modernizadas. Modernizar para depois vender?

Regressando aos MBT's:

É certo que são poucos, um número reduzido.

Gostaria que fossem pelo menos 50 unidades e que se mantivessem em operação pelo menos 50 dos M-60 que apresentassem boas condições de operacionalidade para mais uns anos.

No entanto, a juntar a esses quase 40 MBTs, teremos perto de 280 viaturas novas PandurII para o Exército e Marinha, ao nível terrestre e para intervenções no exterior transmitirá ao mundo uma melhor imagem, e sobretudo melhores capacidades, de acordo com as crescentes necessidades de intervenções fora das fronteiras.

E não meno importante:

Darão aos militares que com brio e profissionalismo têm representado Portugal e a Nação, um instrumento que não os ridicularize junto dos seus colegas.

E se integrados em forças multinacionais, poderão dar um bom contributo para que a imagem do país na NATO e no Mundo não se perca na insignificância e na pequenês a que tem sido sujeita.