segunda-feira, junho 26, 2006


Que prioridades no investimento das FA’s em Portugal?

Depois de observar o estado actual a que anos de desinteresse e desinvestimento a que as FA’s têm vindo a ser sujeitas de há aos ou décadas a esta parte, Portugal se quer ter umas FA’s realmente operativas, com uma qualidade razoável e uma quantidade mínima para garantir a sua operacionalidade e flexibilidade de usos tem que investir nos três ramos das Forças Armadas.

Naturalmente que pelas verbas disponibilizadas aprovadas recentemente para a LPM há que fazer escolhas e estabelecer prioridades.

Mas há que fazer mais.

Nas visitas que o Presidente Cavaco Silva tem vindo a desenvolver aos 3 ramos das FA’s notou-se que pelo menos na visita que recentemente efectuou ao Exército, na Base Tancos onde funciona a Escola de praquedistas, o Exército está “nas lonas”.

Nem vou falar no estado de inoperacionalidade grave que pode representar a avaria em plena parada do Dia de Portugal a que marcou a parada e foi um golpe no Exército, através da inusitada avaria de um MBT M-60.

Depois, repare-se:

Para além de tudo o resto, a dignidade é uma coisa importante para dar das FA’s uma imagem ao povo e à Nação:

O Presidente da República nesse desfile do 10 de Junho fez a revista à parada a bordo de um UMM.

Acredito que sejam viaturas boas, de fabricação parcialmente nacional e que marcaram um período nas nossas FA’s.

Mas repetir essa viatura nas paradas parece-me de mau tom, colocando as nossa FA’s a um nível verdadeiramente terceiro-mundista, coisa que já se havia verificado aquando do desfile do Dia do Exército em Coimbra.

Não se arranjaria ma viatura mais recente para que o Comandante Supremo das FA’s e Presidente da República passasse revista às tropas?

Não teremos nas FA’s nada mais que um UMM?

Acho que cada um com as suas missões, mas com uma FA's curtas, há que garantir a inter-operacionalidade entre os 3 ramos, e julgo que isso tem sido bem conseguido de uns anos a esta parte.

No entanto, e havendo que fazer as escolhas acima referidas, eu consideraria que a prioridade deveria para já recair sobre a marinha e Força Aérea.

Porquê a marinha e a FAP? Porque como já tenho escrito, hoje as fronteiras já não se defendem mais em Elvas ou Vilar Formoso, mas por vezes a muitas milhas de distância.

Interesses só nacionais, ou no âmbito das alianças e esferas geo-estratégicas em que nos inserimos. Por isso a Marinha e a Força Aérea terão (ou deveriam ter) os instrumentos essenciais para afirmar uma politica de Defesa que pudessem ser instrumento para alicerçar uma politica externa que não se limitasse à nossa integração europeia.

Portugal, ao ser um país pequeno, periférico, o que pode dar à Europa? Pouco. A sua grande mais-valia no seio da UE será uma relação privilegiada com o mundo lusófono, quer através de participações e investimentos económicos, mas também por uma politica cultural e linguística, e sobretudo por uma cooperação militar estreita que crie novas realidades geo-estratégicas no Atlântico.

Portugal se esquecer isso perderá a sua dimensão atlântica tradicional e perder-se-á, desaparecerá no seio da Europa dos 25.

Por isso a vertente atlântica, através de uma ligação estratégica aos EUA e sobretudo ao mundo lusófono é primordial para que Portugal possa representar no seio da UE algo mais que um pobre país periférico, pequeno e só com 10 milhões de habitantes.

A Marinha e a Força Aérea serão os instrumentos para a afirmação dessa soberania e projecção, através da aquisição de meios de projecção de poder (as fragatas que quanto a mim deveriam ser mais que 5 e sobretudo melhores) e sobretudo através de meios de projecção de forças, que acredito que ficará limitada se tivermos futuramente apenas um único LPD.

Daí as posições que tenho defendido, quando falo dos meus ideiais para um dispositivo naval. Ao nível aéreo, já que a terceira dimensão deve ser preservada, acho um erro crasso que Portugal acentue a sua já pouca capacidade para defender os seus céus passando de 40 F-16 para apenas 28, sem MLU.

Quando se fala em sacrificar a quantidade pela qualidade, como fica explicada esta decisão de não só reduzir a quantidade mas sobretudo a qualidade, se se anuncia que os 12 F-12 a alienar até 2011 serão exactamente os MLU? E torna-se necessária uma politica continuada de recrutamento e gestão de recursos humanos que limite e cerce a capacidade da FAP em operar mais que poucas unidades.

O que se passa relativamente ao Puma's é a vergonha de um país que não pode nem quer ter meios para Protecção Civil, operados pela FAP e prefere vender esses 10 aparelhos a um país que aparentemente ainda acredita que esse helis poderão dar capacidades a esse país.

Mas mais importante, é o não investimento em meios de projecção verdadeiramente estratégicos.

Julgo que Portugal poderia por si e no seio da NATO compensar a sua pouca prestação ao nível de meios de ataque, através da aquisição de meios de projecção e daí que eu defenda o aumento da frota de C-130H de 6 para 8, e eventualmente estudar a sério a possibilidade de compra de 2 C-17, como o que a Boeing nos propôs em 2003.

Porque duvido muito das vantagens em comprar apenas 4 ou 5 A-400M, e dar-mo-nos por satisfeitos com uma simples substituição da frota lá para 2020.

sábado, junho 10, 2006


Simbolos de decadência ?

Dia 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Neste dia, é suposto homenagear a nação que é Pátria comum de todos os portugueses, de esquerda ou de direita, magros ou gordos, feios ou bonitos, pretos ou brancos, monárquicos ou republicanos.

As Forças Armadas - que são um do símbolos dessa nação - são também um símbolo da determinação de um povo, que se expressa em quase mil anos de existência.

Neste ano de 2006, em que por decisão do Presidente da República foram pela primeira vez homenageadas as Forças Armadas Portuguesas, na data que coincide com o dia que lembra a Nação, foi efectuado um desfile militar na cidade do Porto, onde participaram os vários ramos das Forças Armadas.
É de louvar a iniciativa, porque passa pela promoção de símbolos nacionais como o são as Forças Armadas - o tão necessário ganho de auto-estima.

O desfile.
Costuma-se dizer que se pode analisar a qualidade de uma força pela forma como marcha. Normalmente, para um civil pouco habituado a este tipo de assuntos e que normalmente olha para as fardas, para as cores, as boinas e as armas, estas questões passam um pouco ao lado. Houve-se até dizer que a tropa só serve para fazer desfiles, ou que só fazem boa figura nos desfile, mas não é assim.

A verdade é que se notou em mais um desfile, o que já se vem a notar - infelizmente - de há uns anos a esta parte. Os desfiles militares não são exactamente bem organizados e coordenados. Parecem ser desfiles de segmentos com pouca coordenação, em que umas vezes se separam as forças dos vários ramos por grandes espaços, quase dando a impressão de que o desfile acabou e noutros casos os militares quase embatem uns nos outros, tornando difícil entender onde começa uma força e acaba a outra. Para juntar à festa, a realização esteve mal, aproveitando-se para entrevistar os transeuntes quando as tropas estavam a desfilar, e ao contrário do que é normal nos desfiles, não houve nenhum tipo de informação sobre o tipo de meios que estavam a desfilar. Nem informação técnica, nem genérica, nada!

No desfile de 10 de Junho, as coisas não correram bem.
As tropas, ou parte delas, desde o inicio que mostraram ter um grande numero de militares incapazes de acertar o passo. O movimento de braços e pernas numa parada militar, que deve ser escorreito e fluido, era forçado e mecânico, demonstrando grande vontade de acertar, mas falta de treino de «ordem unida» para o fazer. No desfile perante a tribuna de honra, as coisas correram menos mal, embora se notassem consideráveis diferenças na "qualidade" da marcha.

O desfile a pé «musicado» acabou com o desfile da banda, passando-se posteriormente à parte do desfile dos veículos. Diga-se aqui em abono da verdade, que em muitos desfiles no estrangeiro a que assistimos pela televisão, há um acompanhamento musical para o desfile dos veículos militares. Parece que em Portugal, decidimos poupar as bandas, o que não é desculpa, pois o acompanhamento do desfile mecanizado com musica marcial, poderia ser feito através de uma instalação sonora ao alcance de qualquer comissão de organização de festas de bairro.

As coisas continuaram mal, quando o desfile mecanizado, que parecia vir de outro lado para participar numa cerimónia distinta (que ocorria uns minutos mais tarde), demorou a chegar, demonstrando falta de coordenação entre os comandantes das várias forças em presença.

O desfile não foi fluído e natural e chegou-se ao ponto de ter havido um engarrafamento mesmo em frente à tribuna de honra, sendo que até o primeiro ministro e o presidente soltaram mal disfarçados sorrisos.

O ponto alto do desfile, no entanto, ocorre quando um carro de combate M-60A3 da Brigada Mista, começa a deitar fumo no meio da Avenida do Brasil
Inicialmente parecia um pequeno problema, pois todos os M-60 são veículos bastante poluidores, e mais ainda à medida que envelhecem. Mas depois tornou-se óbvio que o problema era mais complicado. Toda a área onde se encontrava o blindado ficho repleta de fumo, o comandante do veículo saltou para fora e mandou que os populares se afastassem. De aí resultou mais um engarrafamento antes da ligeira curvatura da avenida antes de chegar ao palanque onde se encontrava o presidente.

Felizmente, seguindo as velhas regras dos desfiles, que dizem que em que no caso de haver problemas com um dos elementos os outros devem seguir em frente, o desfile prosseguiu. O carro de combate ficou imobilizado, no meio da fumarada do lado esquerdo da via, sendo circundado pelos veículos que ainda tinham que desfilar.

Porém o mal estava feito.
O problema com o carro de combate M-60 é apenas uma demonstração da situação de catástrofe a que chegou o estado dos veículos do exército português.
No desfile, não havia praticamente nenhum veículo novo, excepção feita para alguns camiões de transporte (com características civis).
Lá estavam as velhas Chaimite, construídas para combater em África e que fizeram a revolução, lá estavam os M-60 fabricados quando ainda havia União Soviética para combater, e que já viram o chão do Iraque e do Koweit na primeira guerra do golfo em 1991.Lá estavam os carros de transporte de pessoal M-113, obsoletos e com blindagem inferior à das carrinhas blindadas IVECO que a GNR levou para Timor, lá estavam enfim, as vetustas G-3, que novelas infindáveis não conseguem substituir.

Os militares a desfilar fizeram sem dúvida o seu melhor. Mas não se podem fazer omeletes sem ovos. Trinta anos de desleixo, trinta anos de desinvestimento, trinta anos de esquecimento, trinta anos de cabeça metida na areia deixam marcas profundas.

Como nota triste, ficam ainda as declarações do Primeiro Ministro José Sócrates, que demonstrou não ter a mais pequena noção do estado de obsolescência dos meios que estavam a desfilar perante si, e que não percebeu o ridículo em que caiu, ao estar a explicar que as Forças Armadas estavam bastante bem equipadas, quando ainda não se tinha dissipado o cheiro a óleo queimado do carro de combate que avariou em pleno desfile.

Mas podemo-nos também colocar uma questão interessante.
Se dos carros de combate M-60, aqueles que desfilaram eram os melhores (e é o que se espera num desfile - que o que é apresentado seja o material mais recente e mais operacional), o que podemos esperar da operacionalidade da Brigada Mista em Santa Margarida?
Será que ainda temos brigada?
Será que ainda temos exército ?

Esperemos que sim, e que a homenagem que lhe foi prestada neste dia pelo Presidente da República se venha a justificar plenamente.

Mensagem automática publicada por : Paulo Mendonça

quinta-feira, junho 08, 2006


A GNR EM TIMOR E A RELAÇÃO ENTRE PORTUGAL E A AUSTRÁLIA

A GNR em Timor, Portugal e as forças militares da Austrália, Nova Zelândia e Malásia

Ao contrário das forças militares destes países que acudiram ao terreno supostamente para repor a ordem pública, a pedido das autoridades de Timor, a GNR foi igualmente convidada junto do Governo português para seguir para Dili, para numa primeira fase ajudar na manutenção da ordem pública (já que se trata de uma forma policial e não militar) e também para dar formação à polícia timorense, ou ao que restar desta após o fim que se espera breve deste reacender do conflito.

Portugal envia então a GNR, não no âmbito de uma força multinacional, mas sim no âmbito de um acordo de cooperação bilateral entre Lisboa e Dili.

Os Australianos viram desde cedo com maus olhos esta situação de terem uma força estrangeira no terreno que não fique sob o seu comando.

Por isso teriam enviado na passada semana uma delegação a Portugal a solicitar a integração da companhia da GNR no comando único australiano, o que Lisboa recusou.

O que está acordado, é que a força da GNR responde perante as autoridades timorenses (Presidente e Primeiro Ministro) e em última análise, ao embaixador português em Dili.

O que se passou ontem foi um sinal de que a Austrália, perante o vazio político em Timor e com a força das armas ao seu lado quer de facto ditar as regras.

Portugal e a comunidade internacional, enquanto esta reconhecer como legítimo o poder politico das autoridades timorenses, sendo este estado e as suas instituições reconhecidas internacionalmente, não tem que sujeitar as suas forças a um comando internacional, a menos que um mandato da ONU mude as regras do jogo.

Por isso e à luz do Direito, as forças australianas no terreno não têm que reconhecer ou deixar de reconhecer as competências da GNR no patrulhamento e manutenção da ordem pública nas ruas de Dili e arredores.

Portugal respondeu com um companhia da GNR, que foi o que foi pedido por Dili.

Mas se tivesse antempadamente negociado com Dili a presença simultânea de uma força militar destacada, apoiada por um meios navais, poderia ter mais argumentos políticos para discutir de igual para igual.

Não o fez, e fez mal.

Portugal tem meios limitados e Timor fica nos antípodas de Portugal.

No entanto uma posição de cócoras perante a evidente aptência australiana para tornar Timor num protectorado e estado satélite é má para os interesses portugueses na zona e até indonésios.

Naturalmente que Portugal não pode aparecer junto dos timorense de braço dado com a Indonésia, porque o tempo decorrido anda não permite essa aparição.

No entanto o problema parece radicar na dissolução do efectivo poder politico que no terreno não encontra resposta, por parte das autoridades legítimas de Timor.

Xanana, o Presidente parece estar em rota de aproximação à Austrália, e Mari Alkatiry, recentemente reeleito líder da FRETILIN pode muito bem voltar a vencer as eleições previstas para 2007, e isto se elas não forem antecipadas.

O poder legítimo e reconhecido internacionalmente é o do Primeiro-Ministro Alkatiry e do partido vencedor em eleições livres e justas (a FRETILIN), e o Presidente Xanana Gusmão.

Neste momento sem umas forças armadas e um polícia constituida e operacional o poder politico em Timor não tem meios para fazer implementar no terreno as suas politicas.

Daí que as armas falem mais alto.

Os revoltosos, Salsinha e Alfredo Reinado não escondem a sua simpatia pela presença australiana e dizem-se dispostos a conversar com Xanana, mas nunca com Alkatiry.

Portugal, ou deixa Timor entregue a eles próprios e à Austrália ou deveria tomar uma decisão que neste momento se torna crucial.

Apesar das manifestações e demonstrações de força, como a da manifestação de 2ª feira, tem uma maioria silenciosa que votou esmagadoramente na FRETILIN.

Portugal deve apostar no Governo e em Alkatiry, sem hostilizar Xanana.

Xanana já não pode merecer mais a confiança politica do Estado Português, já que o maior conselheiro político de Xanana parece ser a sua mulher, australiana, e que agora até aparece nas reuniões politicas das instituições, fala e participa, sem ter sido eleita.

É hora de Portugal escolher o seu caminho.

Para mim, Portugal se não quiser sair derrotado politicamente e sujeitar as suas forças no terreno a uma humilhação, como a que aconteceu ontem, terá que apostar em apoiar o governo legítimo de Timor, tem que enviar uma forma militar que defenda e apeie as presença da GNR no terreno e enviar uma força de operações especiais que possa neutralizar as forças de Reinado, e eventualmente detê-lo e entregá-lo às autoridades legítimas de Timor.

É assim que se fazem as coisas.

Ou então que abandone Timor à sua sorte, e se renda.

quarta-feira, junho 07, 2006


A LPM ANUNCIADA

As minhas primeiras impressões, baseadas nas notícias vindas a público pelos jornais são:

Redução, redução e redução, venda e desmatelamento.

Foi essa a mensagem, ao melhor estilo de marketing publiciário que passou para a opinião pública, e o mais grave, pela boca do próprio Ministro da Defesa.

mas sem querer ser exaustivo, vamso pelas partes principais:

Os F-16 e a venda de 12 aparelhos:

Quanto ao F-16 se é verdade que não temos pilotos, também considero que se os não temos, é porque o Estado não os quer formar, não tem interesse nem vontade em ter uma bolsa de pilotos para operarem 2 esquadras de 20 F-16 cada (e futuramente outros caças), e não porque essa falta de pilotos resulte de algum tipo de fatalidade divina.

Maquiavelicante pensando, poderia até pensar se o Estado e os governos não terão deixado os recursos humanos da FAP chegarem a este ponto, para que agora se justifique a venda dos F-16 (depois de modernizados) porque já antecipadamente se tratou de justificar essa "necessidade" com a falta de gente.

Ou seja:

Se se quiser acabar com um quartel de bombeiros, nada como uns anos antes deixar de admitir pessoal, e não dar aos que lá estão boas condições de trabalho.

Nem 40 F-16 chegam para assegurar supremacia aérea, quanto mais 28 aparelhos!

Depois, não compreendo como é que se pode (a menos que se viva na ditadura do economicismo) reaparelhar esses F-16 usados com um MLU e depois vendê-los, ficando Portugal com os F-16 sem MLU.

Quanto ao Puma's:

O Estado deveria, já que os tem, reservar pelo menos alguns desses aparelhos para o SNBPC em vez de os vender a preço de saldo.

Se eles serão bons para a Roménia, porque serão maus para Portugal?

Se eles são maus e velhos, como é que já eram bons para transportar ministros e secretários de estado sempre que estes tinham pressa em aparecer numa qualquer aldeia para inaugurar um chafariz ou um centro de idosos?

Espanha tem helis pesados para SAR que não são da marinha nem da força aérea.

Os Pumas's com condições a serem dadas à FAP ou a um outro organismo que já exista, poderia ser helis para ajuda no combate a incêndios e ainda para SAR junto da costa, transporte inter-ilhas libertando a FAP dessa tarefa.

Não consigo compreender como possa sair mais barato comprar helis novos para combate a incêndios, do que manter os que já temos, e já estão pagos.

Outro pormenor, é a vontade de vender os 10 Puma's que temos. Não ficará um único para o nosso Museu do Ar?

Ou até já ao acervo histórico se vão buscar aparelhos para venda?

Já agora, que se vendam os A-7 que estão no museu e no depósito em Alverca e os G-91 e até o Noratlas recentemente restaurado.

Pode ser que o Burkina-Faso pague 10 euros por eles.

Quanto aos AluetteIII espero que sejam colocados, nada a opôr, mas tirando meia dúzia de países africanos ou a Índia que ainda os opera, não sei mesmo que poderá pagar um euro por helis dos anos 70.

A venda das duas fragatas da classe João Belo:

Nada a opôr se o Uruguai as quiser, provavelmente não para as acrescentar à sua frota, mas para canibalizar de umas para as outras.

Mas o número apontado de 60 milhões de euro parece-me francamente exagerado. Isso dá 12 milhões de contos em moeda antiga.

Mais ou menos o que custou o A-12 ao Brasil quando a França lhe vendeu esse navio.

Os helis concentrados:

Segundo as notícias, e espero que seja gralha, fala-se em 10 EH-101.

O programa não era de 12 aparelhos, faltando os 4 CSAR? Ou também aí houve redução?

Quanto aos NH-90, muito mau o adiamento para 2011 para a entrega dos aparelhos e a criação de um comando conjunto de helis em concentração no Montijo.

Porque mesmo com comando conjunto, nada justifica a concentração física desses meios.

Se é para o Exército, que mal tem ficarem no centro do país, e nomeadamente em Tancos?

Mas mais importante:

Em que é que se justificaria a redução de 10 para 9 aparelhos?

Quanto é que se pode poupar em 1 (um) heli, e para que serviria esse dinheiro? E de quanto helis ligeiros para o Exército e para a FAP estariamos a falar?

De meia dúzia?

E será com esses poucos helis ligeiros que se formarão pilotos e se operacionalizará a capacidade da FAP?

Ou estaremos a assisitir ao desmantelamento da FAP como tal?

Se os helis ficarem integrados num comando conjunto, fará sentido atribuir uma parte ao Exército e outra parte à FAP?

E se assim é, fará sentido termos 2 tipologias diferentes de helicópteros médios (os Merlin e os NH-90)?

Não seria então de reequacionar tudo e abandonar o projecto dos NH-90 e comprar mais 12 Merlin, atribuindo 4 à Marinha, para operarem no LPD e para missões SAR?

E se se acha que os que ficarem o Exército (os NH-90) são mesmo necessários, para que servirão se não for assegurada a supreioridade e supremacia aérea?

Para que o Exército necessita de helis próprios que apenas sirvam para transpotar pelo ar uma companhia de militares?

A FAP não poderia assegurar essa tarefa?

Ou passaremos a quer uma FA's que não passem de uma mera companhia circence itinerante que ande de país em país a participar em missões sem fim, enquanto se sacrifica a vertente da defesa e da nossa soberania territorial?

As aquisições:

Tudo muito no ar:

Continuação dos programas dos blindados de rodas, dos NPO's e das LFC, do LPD, e agora da eventual vinda de fragatas holandesas para substituir as 2 João Belo.

Positivo se se tratar das M (Karel Doorman) holandesas.

Mas que se saiba, o Governo ainda não transmitiu oficialmente ao EUA a sua desistência relativamente às há muito reservadas Perry.

E parece que nada, quanto a um acrescento há muito esperado no número de helis Linx para a Marinha. E se os M-60 forem mesmo subtituidos por Leopard-2A.

Mas não estaremos a falar de hipóteses?

Nunca antes se tinha colocado em cima da mesa a substituição dos blindados de lagartas e agora esta "prenda" com topos de gama? Muita fartura repentina, e se ela é grande o pobre desconfia.

Onde está o investimento para um verdadeiro sistema de defesa anti-aéreo para Portugal?

Nada de datas, nada de muito concreto.

Para já a palavra-idéia que passou foi: "reduzir."

E com o Ministro da Defesa a anunciar ao jornalistas, sempre hávidos de escândalos, que pelo menos 12 dos F-16 foram comprados, mas que afinal não eram necessários.

O marketing político venceu.

A Defesa em Portugal perdeu.


A VENDA DOS F-16 E A FALTA DE MEIOS AÉREOS

Até os colegas espanhóis nos fóruns estão a ficar espantados coma ligeireza com que se desmantela o pouco que Portugal ainda tem.

Podem alguns vir agora explicar científicamente que alguns desses F-16 nunca sairam dos caixotes, que o programa de modernização é mais lento que se decorresse num qualquer país africano, etc. Mas o facto é que Portugal os tinha, e em caso de necessidade o programa aceleraria.

O Governo para dar uma imagem de populismo demagógico preferiu anunciar a venda desses 12 aparelhos depois de modernizados, até 2011.

O que acontece é que o que hoje é uma verdade anunciada, amanhã já pode ser outra coisa.

Até 2001, o Governo será outro, o programa MLU arrastar-se-á no tempo, a LPM deverá ser revista dentro de 3 ou 4 anos.

Pode-se sempre argumentar que Portugal neccessita de meios aéreos para apagar fogos e não para os atear.

É fácil e popular:

Vendem-se os F-16, e venham os meios de combate a fogos!

Como Portugal é governado por mentes brilhantes, recebeu ontem, 6 de Junho de 2006, a ajuda de 2 Canadair espanhóis para ajudarem a dominar um incêndio que lavra desde domingo no norte.

Porque para o Governo a nova filosofia é a de que os meios aéreos só serão utilizados na fase inicial.

Como a fase inicial do fogo foi no início do dia 4, e ontem já se ia no dia 6, foi necessário mais uma vez recorrer a Espanha para nos ajudar, porque Nª Senhora, evocada por Portas aquando do Prestige não dá para todas as encomendas.

E se a Espanha nos cedeu esses 2 aparelhos é porque simplesmente os tem. Mas em Portugal, com a nossa milenar sapiência, infinitamente superior à dos outros povos, achamos que nem precisamos de helis para combate, nem de nada.

E se eventualmente precisarmos, para calar a boca dos papalvos, prometem-se meios próprios, mas arrastam-se concursos etc.

Os prometidos NH-90 parece que já só serão 9, e só para entregas a partir de 2011. Entretanto o país arde, e outros helis que temos, já pagos, (os Puma's) serão alegremente e levianamente vendidos a quem der uns tostões por eles.

Portugal recebe ajuda do exterior, e vende o que já tem.

O povão gosta disso, entretido em acenar aos seleccionados de Scolari.

O ministro, demagógico e populista anunciou que essa venda de 12 F-16 resulta de Portugal não necessitar deles.

O povo gosta disso.

Porque assim jornalistas e comentadores já estão há mais de uma semana a gritar que o governo de Guterres comprou aviões que afinal não eram necessários.

Esqueceu o Ministro da Defesa, na sua infinita irresponsabilidade, de explicar (e devia) que se eles foram comprados, era porque os cenários geo-estratégicos na altura eram outros, que se o programa MLU para as 2 esquadras não avançou a bom ritmo, foi por pura incompetência e empenho do Estado em querer uma FA's dignas.

Foi fácil, popular e demagógico.

Se o povo quer helis para combate a fogos em vez de F-16 ou de submarinos faça-se-lhe a vontade.

Vendam-se os F-16 (e assim até se faz a vontade a um certo partido politico com representação parlametar), porque os helis que já temos e dispensariam concurso também os venderemos, nada se compra, e se for necessário a Espanha, França, Alemanha e até Marrocos dão uma ajuda.

Entretanto a mesma FAP que não tem meios para operar os Puma's, parece ter encontrado uma vocação especial:

O de transporte de ministros e outros VIP's para assistir a jogos de futebol, em Portugal e no estrangeiro.

Assim vai Portugal.